quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

"E por que nao?"

    Bom, dizem que "ano novo, vida nova", e suponho que assim deve ser. Porém, acho que posso ir mais longe: novo dia, nova vida, pois cada dia comecamos de novo, com novas energias, fé, sonhos, planos, atividades, encontros e descobertas... Entao, vamos deixar para atrás o que aconteceu (no meu caso, desemprego, morte, conflitos e dúvidas, muita angústia e cobrancas exageradas) e comecemos este ano feito um caderno em branco. Vamos escrevendo a nossa nova história cada dia para depois poder lê-la e aprender dela, dos seus erros e acertos, pois de tudo se aprende, com certeza.
    As coisas andam meio revolucionadas por aqui, entao nao terei, por enquanto, um dia fixo para publicar minhas crônicas e contos, mas podem entrar no blogue cada domingo, como antes, e assim ler o que escrevi... Aposto a que acharam que esqueceria de vocês e enterraria a minha vontade de escrever e a minha inspiracao junto com esta última onda de acontecimentos negativos! (entre os quais, apesar de tudo, sempre brilhou uma luz)... Mas isso jamais vai acontecer. Posso até dar umas paradas, porém abandonar a escrita e tudo que sinifica para mim... jamais!
    Entao, retomando e renovando, aqui vai a desta semana, bem numa quinta-feira!...



    E por que nao um pouco de felicidade, paz e docura? Por que nao uma vida simples e tranqüila, anônima? Qual o pecado nisso? ¿Por que nao fazer coisas por e para nós mesmos ao invés de fazê-las por e para outrem? Isso nao é egoísmo, é aprendizado sobre quem somos e o que podemos fazer da nossa vida, o que, com certeza, poderia ajudar outros... Por que nao curtir e agradecer os pequenos presentes do dia-a-dia, esses que, se nao estivermos atentos, deixamos passar, desperdicando o prazer que podem nos trazer, os ensinamentos, a consciência da presenca de Deus em nossas vidas?... Por que nao tudo isso neste ano? Por que nao parar de antecipar, de controlar, de seguir a rotina? Por que nao viver e desfrutar plenamente o que cada momento nos traz? Por que nao parar de nos culpar, nos castigar, nos cobrar e fazer o mesmo com os outros? Afinal, somos todos humanos!...
    A frase "E por que nao?" será meu lema e meu propósito de ano novo e espero poder cumpri-lo fielmente cada dia, cada hora, cada minuto de 2018, pois estou cansada de tanto nengrume, tanto castigo, medo e pessimismo. O mundo nao precisa mais disto. Quero acordar cada manha com a alma leve e otimista, abracar com ânimo, coragem e alegría, com serenidade e equilíbrio, as horas e o que elas me trouxerem e acabar meu dia numa silenciosa, agradecida e sorridente paz.
    Tomara que muitos se unam a mim, pois juntos podemos fazer deste mundo tao convulsionado e feroz um lugar melhor, mais justo, amável e cheio de sonhos cumpridos, sem importar seu tamanho ou grau de dificuldade. Precisamos nos ajudar mutuamente, nos interessar nos outros, apoiá-los, acompanhá-los, comemorar seus triunfos e consolá-los em suas derrotas. Precisamos ser humanos e aceitá-nos como tais. Ninguém espera a perfeicao, nem sequer Deus, pois Ele nos conhece de verdade e por isso entende e perdoa as nossas falhas. E se Ele o faz, como é que nós nao vamos poder fazê-lo também?... Sim por que nao?

domingo, 5 de novembro de 2017

"Clara e personalizada"

    Bom, continuo com estes espacos enormes entre publicacao e publicacao, esperando que meus leitores nao cansem (coisa que, gracas à Deus nao tem acontecido) mas as coisas continuam meio complicadas em minha vida. Porém, a luta precisa continuar, pois se pararmos com certeza a derrota será o resultado final. E eu nao tensiono sair derrotada nesta batalha nem em nenhuma outra. Sempre haverá de restar algo de positivo, por pequeno que seja, entao, vamos em frente pois vale a pena!.
    E com verdadeira saudade -e culpa- por estes longos silêncios, aqui vai a desta semana:


    A quem venha me dizer que Deus -ou quaisquer forca superior divina- nao se preocupa conosco ou sequer existe, vou ter que lhe responder categoricamente que está redondamemnte enganado. Eu já tenho provas e experiências pessoais demais com respeito a isto, entao estou totalmente convencida do que falo. No entanto, a última que me aconteceu posso dizer que é uma das mais claras e personalizadas pelas quais já passei.
    Dava eu meu passéio diário com as minhas cadelinhas pelo Passéio Huérfanos, que nessa hora da tarde era feito um mar de gente desesperada por ir embora pra casa, e tentava me distrair com a paisagem, as vozes, a variadade infinita de rostos e suas expressoes, os aromas e sons ao meu redor... Mas nao estava conseguindo. A minha cabeca estava cheia de preocupacao e pessimismo, o coracao pesado, apertado, a percepcao nublada, fechada... Tería sucesso finalmente o tratamento? E seria logo? A saúde da minha filha iria melhorar? Conseguiria aquele outro empréstimo no banco? O orcamento ficaria mais curto ainda? Aquele bendito terreno se venderia? Aquele dinheiro nos fazia tanta falta!.. E desse jeito caminhava, meio que automáticamente, esmagada por tantas perguntas sem resposta, pela incerteza, a impotência e a angústia de me sentir incapaz de encarar todas estas situacoes, sobretudo na instável condicao psicológica na qual me encontrava. Naquele momento nao enxergava saída, solucao, um final positivo. Me sentia inútil, frágil, indefesa diante do mundo e seus desafios que pareciam nao ter fim.
    Cheguei no fim do meu percorrido e dei meia volta para regresar pra casa. Queria chegar logo, fazer uma xícara de chá e umas torradas, sentar no sofá e assistir televisao até a hora de dormir. Virei e me deparei com uma parede humana vindo de encontro a mim. Tinha que ser artista mesmo para nao esbarrar com ninguém!... E de repente, do meio daquela multidao surgiu um rapaz. Vestia roupas simples e surradas, jeans gastos e tênis  velhos. Segurava uma folha de papel e olhava em volta como procurando algo. Nao sei por que fiquei olhando para ele, por que me pareceu se destacar, como se tivesse algum tipo de luz própria. Era de pele morena e cabelos pretos, feicoes rudes. Nada demais. Porém, ele brilhava... Entao, meus olhos caíram em sua camiseta lilâs, que ficou bem na minha frente, e vi o que estava escrito nela, já meio desbotado: "I can and I will" (Eu posso e o farei) Fiquei paralisada por alguns segundos, em veradeiro choque. Foi como o estardalhaco de um raio. Todo o resto sumiu. Só via aquelas palavras, e elas entravam lenta e calidamente em mim, feito uma carícia, uma luz, uma porta que se abria. Uma resposta.
    O rapaz passou por mim, apressado, enquanto eu tentava assimilar o que estava acontecendo. Pois aquilo era indiscutívelmente para mim e só para mim naquele instante. Este anônimo anjo tinha me entregado uma resposta, um consolo, uma certeza impressa numa velha camiseta... Nao sabia se rir ou chorar e o primeiro que atinei foi murmurar um emocionado "Obrigado". Depois abri um imenso sorriso, sentindo-me de volta à vida, à luta, à possibilidade de vitória, à esperanca e à coragem... Quando entrei no apartamento e fui preparar a minha xícara de chá e minhas torradas, ainda sorria. E quando já estava deitada na minha cama, olhando pela janela o céu estrelado e a pasagem iluminada lá fora, ainda tinha esse sorriso de gratidao e otimismo nos lábios e o coracao.
    Imaginacao? Coincidência? Intervencao divina?... Podem escolher o que quiserem, porém para mim foi a compassiva e gentil mao de Deus diretamente em minha vida... Mais uma vez.

domingo, 1 de outubro de 2017

"Maravilhoso e inalienável poder"

    Tempo demais em silêncio, eu sei, mas tenho tido tempos difíceis porque uma de minhas melhores amigas descobriu que está com câncer avancado, entao, tenho passado muito tempo com ela tentando ajudá-la, apoiá-la, estar ao seu lado e animá-la. Porém, este tipo de coisa acaba abalando a gente, mesmo se tentamos evitá-lo e manter-nos firmes e positivas, entao, é claro, zero inspiracao... No entanto, percebo que, mesmo apesar de tudo isto, a nossa vida continua e nao podemos parar, ficar doentes ou morrer quando alguém que amamos o faz. Tem que seguir em frente, tem que escarafunchar no fundo a trazer a inspiracao de volta, precisa escrever e contar, porque essa é uma missao que nao podemos abandonar. É preciso continuar enquanto se pode, caso contrário, a nossa vida perde o sentido, pois a vocacao nao se pode enterrar, esquecer, ignorar...
     Entao, retornando, ferida e com muita tristeza, impotente, aqui vai a crônica desta semana, e espero poder continuar sendo regular, pois escrever é a minha melhor medicina.



    Por que será que às vezes nos custa tando desfazer-nos de certas coisas? Pessoas, situacoes, hábitos, dinâmicas que nos fazem mal e nos impedem de crescer, avancar, atingir o equilíbrio e a felicidade, a paz... E toda vez que aparece uma chance de deixar isto para atrás, aparece também a excusa para adiá-lo: estou muito ocupado, preciso sair, meus filhos precisam de mim, hoje é dia de lavar a roupa, de ir no mercado, na feira, no médico... As desculpas sao infinitas e lhes damos uma absoluta e convincente validade, e desta feita continuamos por mais um tempo carregando esse lastro inútil e nocivo, mais acostumados ao sofrimento que nos provoca do que à expectativa de algo novo, nao importa se é positivo.
    Acredito que nao podemos afirmar que nao reconhecemos as armadilhas que o nosso inconsciente nos bota no caminho para que continuemos nesta dinâmica na qual é ele quem governa e, mesmo assim deixamos que ele nos manipule, pagando como preco a tristeza, a doenca física e espiritual, a angústia, a inseguranca, a fragilidade e a dependência, sem admitir -ou sem perceber mesmo- que todo este sofrimento é pura fantasía, costume, medo de mudar, medo de sermos felizes. Isso mesmo. Porque ser feliz significa uma grande responsabilidade: a de amar a nós mesmos, nos cuidar, respeitar e perdoar. Todos queremos ser felizes, porém, boa parte de nós tem medo ou achamos, pelas mais diversas razoes, que nao o merecemos e assim, escolhemos um castigo que nao tem fim, nos mantendo ancorados a velhos hábitos, lembrancas, processos e relacionamentos que vao destruindo-nos lenta e implacávelmente.
    Nao é fácil -eu que o diga!- tomar esta decisao, esta atitude radical positiva, mas tem que ser feito, passo a passo, um dia de cada vez, acordar todo dia com a firme e otimista resolucao de se enfiar na "lixeira emocional" e comecar a jogar fora tudo isso que nos faz tao mal, nao importa se nos assusta. Nao vamos ficar vazíos! Pelo contrário, vamos ser finalmente livres  e teremos um espaco  vazio e limpo para nos encher de nova vida, de experiências e relacionamentos positivos, de paz e equilíbrio. Nós é que vamos ser os governantes das nossas próprias existências ao invés daquele inconsciente tirano e atado ao negativismo.
    Todo o presente está construido pelo que já passamos, no entanto, isto NAO é uma sentenca irrevogável. Nós, gracas à Deus, temos o maravilhoso e inalienável poder de mudar isto.

domingo, 13 de agosto de 2017

"Fé, otimismo e criatividade"

    As ausências continúam, eu sei, mas parece que o universo conspira -ou, melhor dito,  tenta me ensinar alguma coisa- para que eu nao consiga sentar para escrever. Agora acontece que a senhora que vem fazer faxina para nós está hospitalizada, aguardando para ser operada da vesícula -E, sinceramente, nao entendo por que esses médicos estao levando tanto tempo para fazê-lo. Sério, mais parece que, ao invés de curá-la, estao tentando matá-la aos poucos!- e eu tive de me encarregar de tudo que ela fazia, que nao é pouco. Entao, de repente nao está me sobrando muito fôlego nem inspiracao para escrever qualquer coisa. Vamos ver se a operam amanha de uma boa vez, antes que a sua vesícula exploda e ela morra de septicemia. E assim, uma vez recuperada, volta com a gente e eu tenho mais tempo e ânimo para escrever sem mais interrupcoes... Ufa, vida de dona de casa com duas cadelinhas e 61 anos recém completados nao é fácil!...
    Mas como hoje é a minha filha quem vai fazer o almoco e ontem arrumamos uma moca que virá fazer faxina e lavar enquanto a outra nao volta, hoje estou aquí, livre e mais relaxada. Vamos ver se continua assim...

    A quem me disser que as forcas superiores -Deus, Budah, Alá, seres iluminados, anjos, etc.- nao estao em contato com a gente e nao se preocupam -nem ocupam- com o que nos acontece, certamente lhe responderei que está errado. Para cada situacao pela qual passamos há centenas de mensagens ao nosso redor, às vezes nas coisas ou pessoas  mais banais ou inesperadas, em situacoes que nao imaginamos. Como descobri-las e entendê-las?... Pois, simplesmente, saindo um pouco de nós mesmos e aquilo que nos aflige ou intriga -às vezes obsessivamente- e olhando ao nosso redor. As mensagens e respostas estao ali, se de verdade desejamos descubri-las e entendê-las. E é justamente ali que está o "X" da questao, do qual depende o resultado: Queremos realmente encontrar respostas e saídas? Temos fé em que estao ali para nós? ¿Ou estamos mais cômodos", ou acostumados, resignados, enfronhados no sofrimento, o ressentimento, a depressao, o medo?... Mas se realmente desejamos sair desta situacao negativa, entao com certeza as acharemos.
    A fé, o otimismo e a criatividade nao estao fora de moda e sao eles que abrem nossos olhos, ouvidos e coracao para que sejamos capazes de perceber estas mensagens que todas as forcas superiores nos enviam cada día.

domingo, 23 de julho de 2017

"Precioso e único presente"

    Chuva, calor, neve, frío, sol radiante, frío novamente... O clima últimamente anda parecido com meu espírito, que está constantemente mudando, descobrindo o sol, as tempestades, o frío, a calidez, a seguranca, as dúvidas, as perguntas e respostas, as acoes... Nuvens e sol, porém sempre vivo e atento, lutando por melhorar e ser feliz. Acredito que é desse jeito que tem que ser. Nao se pode desistir, apesar de alguns fracassos. Estamos destinados às vitórias, grandes e pequenas, entao, tem que seguir em frente, contra vento e maré, às vezes contra nós mesmos, que podemos acabar nos transformando em nossos piores inimigos e sabotadores... Acreditem, sei muito bem do que estou falando.
    E como é preciso continuar, mesmo se antes de ontem estava um sol espetacular e até quente e hoje já chove e está muito frío, aqui vai a da semana. Quero ver se a próxima vem acompanhada de um conto novo.. Vamos ver o que  manda a minha inspiracao.



    Tem que acordar pela manha, abrir os olhos e se espreguicar, respirar fundo... e deixar que o dia comece a transcorrer. Precisamos aguardar pelo que vai acontecer, quais serao as situacoes e pessoas que encontraremos. Temos que ir descobrindo com fe e otimismo, com coragem, em que iremos nos transformando ao longo das horas e os fatos e, no fim do dia, conferir as nossas conquistas e derrotas (porém, sem nos punir por elas, mas dando-nos mais uma chance) as licoes que aprendemos para assim fazer do dia seguinte um tempo melhor, mais feliz e produtivo, mais sereno e equilibrado.
    Bem que se diz que cada dia traz seu próprio afazer. É a mais pura verdade, sobretudo porque é o único que temos. O ontem já passou e o amanha nao chegou ainda. Entao, vamos nos dedicar a este precioso e único presente vivendo o mais plenamente possível todas as pequenas e grandes coisas que nos depara, sem querer controlar, apressar, impôr, pois fazendo isto tudo perderá seu frescor, a sua surpresa, sua mensagem e suas descobertas... Cada momento é único e irrepetível, e é deste jeito que tem que ser vivenciado.

domingo, 16 de julho de 2017

"Precisamos avancar"

    Algumas semanas de silêncio, muitas provacoes, dúvidas, perguntas ainda sem resposta, decisoes e lutas que parecem nao ter fim, pois bem quando achamos que estamos no caminho certo, tropecamos novamente, traídos pelas nossas próprias histórias, medos e conflitos, pelos maus hábitos e o desânimo... Porém, como nao tem mal que dure cem anos, cá estou novamente, pronta pra seguir em frente, mesmo se pode haver alguns buracos no caminho... E foi engracado -e quase divino- pois quando abri meu diário hoje para ver qual seria o tema da crônica, o tema que saiu tem tudo a ver com a minha situacao atual e, quem sabe, com a de alguns de vocês... Espero que lhes seja útil, entao, como foi para mim, mesmo se fiquei com dor de barriga...



    É engracado -e às vezes triste e até trágico- ver como algumas pessoas lutan com tanto denodo para permanecer paradas em certas épocas e desfrutar eternamente das realizacoes que nelas obtiveram sem perceber que, com isso, estao desperdicando as outras realizacoes que as novas etapas trarao. Nao sei se é medo do desconhecido, receio de nao encontrar mais desafios ou sonhos para concretizar ou vencer, talvez a negacao de que merecem a recompensa, o descanso, a liberdade, ou entao aquela sensacao de derrota e resignacao que toma conta das pessoas quando atingem uma certa idade... "Ah, agora já estou nos descontos", dizem, e sentam no sofá diante da televisao, esperando a doenca, a dependência, a ausência, a fragilidade, a morte.
    No entanto, a coisa nao funciona desse jeito. Cada etapa -inclusive a última- desde que nascemos, traz as suas próprias e únicas realizacoes, todas distintas para cada um: a escola, a faculdade, a carreira, a família, a casa, os empreendimentos, o aprendizado, o amor, os recomecos, os sonhos e as lutas. Cada uma corresponde a uma parte da nossa vida e nos transforma em quem somos. Entao, precisamos avancar sempre para descobrir e vivenciar a próxima com tranquila plenitude e felicidade. A realizacao tem seu ciclo e quando atinge seu ápice e final devemos guardar a satisfacao, as licoes, a felicidade e a gratidao por tudo que vivemos, porém, jamais devemos parar ali nem tentar revivê-la eternamente, assim como tampouco nos enfronhar numa realizacao que nao corresponde àquela etapa da nossa vida.
    Nenhuma realizacao  ou etapa é desprezível, por mais modesta ou difícil que possa parecer. Só nós sabemos seu valor e seu significado e issos é o que realmente importa.

domingo, 25 de junho de 2017

"Afrouxar as rédeas"

    Bom, e uma outra "pequena emergência familiar" me manteve mais pra lá do que pra cá esta semana, porém nao o bastante como para me impedir de sentar aqui para publicar a crônica da semana... apesar da dor no traseiro... Acho que por causa do antibiótico que a dentista me receitou -mas que era necessário- fiquei sem flora intestinal, estouraram as minhas hemorróidas e outras coisinhas bem pouco agradáveis, mas estou  saindo de tudo iso e semana que vem ja estarei pronta para outra... Ainda bem que nao tengo nenhuma outra visita em nenhum outro médico, pelo menos semana que vem, porque na próxima deverei ir no oculista e na diabetóloga... Nossa, parece piada!... Mas isto deve ser parte do meu "inferno astral", já que daqui a um mes estarei de aniversário, entao é de praxe -segundo a cultura popular- que este tipo de situacao aconteca por esta época... Bom, se é isso mesmo, paciência, porque prefiro ir no médico e sarar do que andar por aí me arrastando por ser cagona...
    E assim, com este pequeno toque medicinal e pronta para o jogo entre o Chile e Austrália hoje à tarde, junto com todo o país (A gente precisa ficar com essa taca!!!!) aqui vai a crônica da semana... e  nada de contos novos ainda. As cólicas intestinais tiram a inspiracao de qualquer um,  podem ter certeza...



    Se soubéssemos a quantidade de coisas boas que poderiam nos acontecer se deixássemos, por um dia que fosse, de tentar controlar tudo!... Queremos agora, do nosso jeito, sob as nossas condicoes e preenchendo as nossas expectativas. Nao desejamos surpresas -mesmo que possam ser positivas- improvisacoes, nao saber, nao controlar, y por isso perdemos uma quantidade absurda de oportunidades de curtir, de nos surpreender, de aprender, de partilhar, de descobrir. As coisas precisam acontecer sozinhas, sem as nossas pressoes, prazos ou regras, e elas acontecem porque estao em nosso destino, porém, às vezes poderiam fazê-lo de um jeito muito mais positivo, ou bem antes, se nós relaxássemos e pensássemos, ao abrir os olhos cada manha: "E bem, o que será que este novo dia traz pra mim?"... É claro que tem rotinas, necessidades e obrigacoes que nao podemos simplesmente deixar ao léo, pois a nossa vida viria abaixo, mas parece que estas obrigacoes nao têm limites e as transferimos para aquilo que deveríamos deixar acontecer livremente. Nao conseguimos -por medo, pressao social ou familiar, orgulho, vaidade, ambicao- deixar de lado o aparente poder que o controle nos da, pois receamos que a nossa existência e tudo que conseguimos, humana, profissional e até espiritualmente, desabe, se desintegre se nos damos a liberdade de afrouxar um pouco as rédeas. Porém, às vezes, controlar nao é poder e sim tiranía, escravidao, angústia, frustracao, tristeza, castigo. É uma paisagem cinzenta e plana onde tudo é conhecido e calculado.
    Deixemos que amanheca e que as horas vindouras nos tragam seus presentes, pois com certeza, a nossa ânsia de controle fecha a porta para todos eles.