domingo, 22 de março de 2015

"Ser bom, sentir-se bom e agir como tal"

    Definitivamente, este verao nao está com vontade de ir embora e já no fim de marco continuamos a cozinhar quando deveríamos estar usando calcas compridas e blusas de la. Mas nao, todo mundo anda de bermuda, camiseta e sandálias, enchendo as sorveterías e jogando-se nas piscinas... Quem é que entende este clima?... Mas tem que aproveitar enquanto dura, porque mais tarde vamos penar quando o frío e a chuva chegarem... E depois, quando tem sol é mais fácil sair para a rua procurar inspiracao para meu projeto dos contos curtos... Aguardem, em breve terei mais uma série para publicar!.
    E enquanto aguardam, aqui vai a crônica da semana. Ontem andei meio apurada entao nao tive tempo de postear nada, mas hoje vai. Vale do mesmo jeito!



    O video já é para se emocionar. As palavras entao... "Que ganha este homem por ajudar os outros? Com certeza nao ficará famoso, nao ganhará dinheiro nem virará alguém poderoso. Por que o faz entao? O que é que recebe em troca?... Recebe emocoes, as expressoes do amor"... E as imagens das pessoas sorrindo, abracando o homem, do cachorro seguindo-o, da planta seca que floresce e, principalmente, a da menininha com o uniforme de escola, nos deixam com a garganta apertada e uma imensa sensacao de Deus. O protagonista desta pequena história -propaganda fantástica de uma companhia de seguros da Tailândia, que ainda tem outros videos igualmente maravilhosos- é um homem comum, que mora numa casa pequena e escura (mas com um minúsculo quintal cheio de vasos com flores) amontoada, que nao tem luxos nem uma vida social, mas que escolhe se preocupar e ajudar os outros -inclusive um cao que acaba indo morar com ele- sem esperar nada, pois aqueles a quem ajuda sao igualmente ou mais necessitados do que ele, e acaba sendo divinamente recompensado por emocoes, pelo carinho destes, pois nao somente os ajuda, mas serve de exemplo.
    Quando acabei de assistir este video -que a minha filha achou no Youtube- estava com os olhos cheios de lágrimas e o coracao tao cheio de uma indescritível certeza, de uma alegria e uma total sensacao da presenca de Deus nao somente em minha própria vida, mas na de todos e tudo, que mal consegui pronunciar uma palavra... Porque é deste jeito que se deve agir, essa é a verdadeira recompensa, a real e duradeira felicidade e paz. Isso é cumprir a nossa missao. É assim que o mundo realmente pode se transformar em algo melhor. Vi a mim mesma fielmente refletida neste homem, e percebi que nao estou sozinha em minha cruzada, que nao estou errada, que nao é ingênuo nem inútil, que é o correto e, acima de tudo, que funciona.
    Desde o mais profundo do meu coracao impactado agradeci a Deus por este sinal, esta delicada mensagem que me confirmava que o que tento vivenciar cada día está certo, que vale a pena e que dá frutos, mesmo que eu nao os veja. É vital ser bom, sentir-se bom e agir como tal, nao interesssa o que os demais pensem ou facam. É saudável nao só para aqueles a quem ajudamos, mas também para nós mesmos, pois as expressoes de amor que recebemos em troca sao melhores do que qualquer prêmio, prestígio, fama ou poder, pois elas nao se esgotam, nao se gastam e só aumentam nosso bem estar físico, psicológico e espiritual.
    Se pudesse, enviaria uma carta para esta empressa de seguros e para a agência que fez estes comerciais excepcionais, para contar-lhes como tocaram meu coracao, iluminaram a minha vida com a certeza da bondade desinteressada e agradecer-lhes por promover tudo isto e mostrar que em todo lugar qualquer pessoa pode fazer o bem e comecar a mudar o mundo.
    Agora estou ainda mais convencida de que existe muita gente idealista e com boas intencoes neste mundo. Inclusive nas agências de publicidade. Vao me dizer que é somente marketing?... Nao importa, o que vale é a mensagem que estao entregando. Entao, parabens!

sábado, 14 de março de 2015

"Por favor, olhem-nos nos olhos!"

    Antes que esqueca, amanha vou postear os contos curtos que enviei para o concurso "Santiago em 100 palavras". Nao sei se vou conseguir sequer uma mencao honrosa, mas acho que é um bom treinamento e deixa a gente com aquele suspense e a expectativa positiva por algum tempo. Acredito que é uma boa época para comecar a participar nestes concursos com os contos que já tenho, ver o que acontece e aproveitar o embalo para escrever mais. A maioria já os publiquei no meu blog pazaldunate estorias-blogspot.com, mas como já disse, pretendo comecar a escrever mais para assim ter material para mandar para a maior quantidadde de concursos que puder. Comecarei por Santiago, depois irei às provincias e logo ao exterior, pois sei que tem concursos que pedem contos em espanhol e português... Nao perco nada com tentar, nao é mesmo?... Nao é coisa de vida o morte -pois a minha filha me fez entender que nao preciso comecar a produzir qualquer coisa feito doida só porque ando me sentindo culpada de "nao estar fazendo nada" profissionalmente. Afinal de contas, trabalhei duro durante 23 anos numa Fundacao Cultural que exigia um esforco criativo constante e mereco estas "férias". Mas, vocês já sabem, né? quando a gente está acostumada a trabalhar demais, demora um pouco para se adaptar ao "ócio"... rsrsrs, entao, pretendo pegar leve porque a última coisa que desejo é que escrever se torne algo estressante... E assim que tiver um conto novo, o publico aqui primeiro.
    Entao, aqui vai a crônica da semana, com muita calma e prazer, como deve ser.


    Médico de cidade grande parece que sofre de um mal endêmico: si importa um pepino com seus pacientes. Pode ser porque atende demasiada gente, porque ganha mal, porque prefere seu consultório privado e mais lucrativo ou porque, realmente, nao está nem aí. Nao cria lacos, nao da confianca, nao tem tempo nem paciência para escutar o doente, nao compartilha nada com ele a nao ser a receita, a medicao da pressao e o resultado dos exames. Mantem uma amável distância -e às veces nem tao amável- durante a consulta, sorri pouco, nao olha você na cara, a sua fala é distraída e distante, e se a coisa nao tem a ver com a sua especialidade, entao a indiferenca é pior. Parece que a gente está falando com a parede!... Ai, que saudade daqueles doutores de antes, que vinham em casa e conheciam toda a família (médico de cabeceira, chamavam-se) Ou entao, desses outros de cidade pequena, que sao amigos de todo mundo e se dispoem a escutar e aconselhar de verdade... Nas capitais construíram centros de atencao médica demasiado grandes, achando que atender uma maior quantidade de pessoas num mesmo lugar faria com que as coisas funcionassem de um jeito mais eficiente, mas na verdade o único que conseguiram foi sobrecarregar os médicos e obrigá-los a marcar o tempo de atencao para cada paciente, como se se tratasse da fila no banco. Aí, a gente já chega amedrontado, diminuído, porque sabe que o doutor só vai ter alguns minutos para se ocupar somente do que aflige o corpo. Todo o resto terá de ser deixado de lado, sacrificado em nome de umas estatísticas que é preciso atingir. Mas o paciente tem um coracao, uma história que às vezes precisa ser contada porque forma parte da sua doenca.
    Eu sofro com este tipo de esquema porque sou uma pessoa extremamente empática e preciso entrar em contato, ter algum tipo de intimidade para me sentir segura e relaxada, bem recebida, e em geral fico muito chocadaa com este novo comportamento destes novos doutores.
    Por isso eu peco: Por favor, olhem-nos nos olhos, sorriam para nós, peguem na nossa mao e digam-nos que estarao ali quando precisemos de vocês! Facam-nos perceber que nao somos uma ficha com um número e que se lembram da nossa cara!... Vao um pouco além do tempo e do diagnóstico e verao como seus pacientes melhoram muito mais rápido.
    

sábado, 7 de março de 2015

"Distraido"

    Bom, se as coisas saem como esperamos e mudam a minha filha para a semana no canal de televisao onde trabalha ao invés de deixá-la somente nos fins de semana e feriados, acho que vou ter de me acostumar a passar muito tempo sozinha no apê, acompanhada somente pelas cadelinhas... Será que é algum tipo de treinamento para o futuro?... Talvez, porque os filhos vao embora  e a gente precisa aceitar e comecar a levar um outro tipo de vida. Bom, acho positivo que acontecam mudancas na vida da gente, caso contrário seria um tédio total, nao é mesmo?... Ainda bem que tenho um universo próprio e independente no qual realizar coisas, nao estou grudada na barra da saia da minha filha, entao acho que nao será tao ruim. O negócio é se habituar e nao parar porque os filhos vao embora. A vida continua, sempre, e tem que celebrá-la!.


    É engracado perceber como a gente vive distraido. Geralmente anda pela rua acelerada, meio avoada, como se a pressa e a indiferenca dos outros fosse contagiosa, como se fosse algum tipo de obrigacao que andivésemos por aí feito zumbis ou robôs, sem perceber nada. Podemos passar mil vezes por um lugar e nunca dar-nos conta de seus detalhes (de que cor está pintado, como é a porta, se tem plantas ou escadas, cortinas, sacadas...) porque estamos concentrados em nosso propósito primário, aquele que nos leva a sair e nos deslocar para outro lugar, e parece que nao temos nem tempo nem espaco para mais nada...E estou falando isso, porque acabou de me acontecer.
    Estou morando aqui já faz um ano e já conheco o bairro e todos seus encantos bastante bem. Adoro sair por aí e desfrutar da sua arquitectura patrimonial junto da moderna, da sua gente, as suas pracas, seu movimento, as suas rutinas. Conheco seus becos e caraterísticas, seus sons e cheiros... Bom, isso pensava eu. Porque poutro dia, no fim do passeio com as cadelinhas, e bastanta cansadas, passamos na frente da porta de entrada de um prédio que, no térreo, está cheio de lojas de máquinas de costurar e bazares e cuja entrada é uma modesta porta de madeira trabalhada com supostos motivos orientais, através da qual se divisa o pequeno balcao do conserje e um tapete com um par de velhos sofás... Nesse momento, a bonita e algo exótica porta se abriu e saíram duas pessoas -que eu ja tinha visto antes- ao mesmo tempo em que escutei o rangido  de uma janela se abrindo acima de mim. Ergui a cabeca e me encontrei com o torso de um rapaz que se assomava para a rua enquanto fumava. Uma cortina cor salmao flamejava atrás dele e as folhas de uma planta assomavam-se num canto da janela. Admito que no primeiro momento fiquei surpresa ao vê-lo alí em cima, pois a minha consciência daquele prédio só chegava até a entrada com a sua porta exótica e as lojas de máquinas de costurar, porém, de repente percebi que aquelas pessoas que saíam dele e aquele rapaz na janela, de fato, moravam ali. Havia um segundo, terceiro, quarto e quinto andares com apartamentos nos quais residiam famílias, aposentados, estudantes, extrangeiros, solteiros... Morava gente lá em cima!... Ergui mais o olhar, afastando-me um pouco, e comecei a enxergar cortinas, vasos, quadros, móveis e lustres através das janelas abertas, cada uma delas com a sua personalidade: empoeiradas, trincadas, com persianas ou sinos de vento, limpas, com adesivos... Parei ( e as cadeilnhas agradeceram, com certeza) e fiquei um bom tempo olhando lá para cima, tomando consciência daquele novo universo que até entao tinha ignorado, mesmo correndo o risco de ser acusada de acosso ou de criar um pequeno tumulto pela curiosodade das pessoas sobre o que era que eu tanto olhava. Mas é que me sentia totalmente fascinada, pois me dava conta de que sempre há um entorno ao redor dos nossos lugares conhecidos (padaria, farmácia, mercado, consultório) e acoes. Em tudo existe esse "tudo que nao podemos ignorar, pois forma parte da história que estamos vivendo e testemunhando. Por mais individualistas que queiramos ou pretendamos, ser construimos as coisas de tal forma que acabamos todos conectados e nos tornamos inseparáveis.
    Irônico, né?...

sábado, 28 de fevereiro de 2015

"A maca e o cigarro"

    Bom, parece que estamos querendo nos parecer ao Brasil e estamos entrando na onda das tempestades de verao. Hoje acordamos com trovoes, raios e uma curta e forte chuva, o que deixou a maioria meio espantado, pois este tipo de fenômeno jamais acontece por aqui no meio do verao. Tudo bem, ele já está acabando e as temperaturas estao frescas e agradáveis, já tem que botar um cobertor na cama e pijama para dormir, mas nao precisa exagerar!... Aqui o clima cálido nao dura muito, é  verdade, a maioria do tempo é templado e frío, entao tem que aproveitar ao máximo os dias de sol... Agora, uma tempestade?... Eu gosto de algumas surpresas, mas esta foi demais. Ainda bem que já abriu e o sol brilha. Ficou o ar fresco e as calcadas molhadas, o cheiro de terra e grama molhados e os zorzales ciscando no chao para dar-se um banquete.
    Entao, enquanto os raios do sol vao espalhando-se pela minha sala, aproveito para postear a crônica de hoje.

    Saio na sacada comendo a minha maca. O dia está lindo, a fruta doce e suculenta. Atiro o olhar para a impressionante paisagem de prédios, morros e a cordilheira imponente no fundo. Embaixo, o emaranhado organizado de ruas com seus carros, ônibus e pessoas, semáforos, barulho, pressa. Olho as sacadas dos outros prédios: varais com roupa, bicicletas, cadeiras e mesinhas, vasos, algumas donas de casa varrendo, botando cobertores no sol, aguando as plantas. Nao é nem muito cedo nem muito tarde, hora de um cafezinho, um chazinho talvez, ou de um lanche como o meu... Meus olhos param nas escadas externas de um prédio na frente. Tem alguns andares a menos do que o nosso e estas escadarias entre um e outro sao a via de escape em caso de terremoto. Num dos descansos diviso uma mulher de uniforme azul apoiada na mureta. Deve ser alguém da faxina que saiu para dar um tempo... E no momento em que dou uma mordida na minha maca, ela puxa um cigarro e o acende, dá uma tragada e fecha os olhos, relaxando o corpo, evidentemente tomada por uma intensa sensacao de prazer. Com certeza o mesmo que eu sinto ao morder a minha maca... Fico olhando para ela, intrigada, e penso que isto parece o título de um conto infantil ou de uma fábula com licao de moral no final: "A maca e o cigarro"... A mulher na minha frente escolhe errado, prefere o veneno do alcatrao e a fumaca. Eu escolho o bem da fruta, suas fibras e vitaminas. E nao é por dar uma de gostosa, é que já é conhecido e comprovado científicamente que o cigarro é uma das piores coisas que existem e que a fruta tem vitaminas, antioxidantes e fibras que fazem bem ao organismo... Entao penso, nao sem uma certa surpresa: "Como tem gente que escolhe mal! Como existem pessoas às quais nao importa prejudicar a si mesmas!"... E isto também vale para a parte psicológica e na vida mesmo. Porque tem uma quantidade impressionante de gente que, mesmo sabendo -ou pelo menos com alguma séria desconfianca- escolhe ser infeliz, amargurada, negativa, sedentária. Nao falo de serem pobres, féias, menos inteligentes, com menos chances ou dinheiro, falo de ser infelizes o tempo todo. Porque se pode ser pobre, féio, ter menos chances e pouco dinheiro e, apesar disto, ser feliz. E é esta felicidade a que os levará a se superar, a lutar para ganhar mais grana, para ter mais e melhores oportunidades, a se cuidar a aprender mais. Escolher ser infeliz nao significa tao somente condenar a si mesmo à escuridao, ao fracasso, à solidao, à violência, mas também aos que estao em volta, porque se eles nao sabem como se defender ou se afastar deste negativismo, afundarao junto com esta pessoa. Este comportamento pode provocar um perigoso efeito dominó que será capaz de atingir e prejudicar muita gente.
    Entao, por que escolher ser infeliz? Nao se sabe já que a felicidade e o amor sao os motores mais poderosos que existem? E sempre vêm juntos, pois quem é feliz ama e vice-versa. Nao digo que tem que ignorar os problemas e viver no mundo da fantasia, porém, é bem diferente enfrentá-los amargurado, pessimista e derrotado, do que fazê-lo com fé, coragem e alegría. O positivo, mais cedo ou mais tarde, atrai  o positivo. Pode nao ser em forma de um milagre, mas através de uma corrente lógica de acontecimentos, mas o atrairá, com certeza.
    Sempre digo que na vida tem que ser um pouco "Pollyanna", porque funciona mesmo, por mais ingênuo que possa parecer. Porque somos nós, através das nossas opcoes e acoes,  quem fazemos com que a energia do universo aja ao nosso favor ou contra nós.
    

sábado, 21 de fevereiro de 2015

"Uma recomendacao!

    Pegar um tremendo de um resfriado bem no meio do verao?... Sim, é possível, porque eu estou com um que me tem mais pra lá do que pra cá, com o nariz escorrendo, a cabeca feito uma bomba relógio e o corpo totalmente mole. Estou deste jeito já faz quatro dias, e, apesar de que estou comecando a me sentir um pouquinho melhor, ainda estou com mais vontade de ficar jogada na cama do que sentar aqui para escrever. Para piorar o panorama, ontem à noite, os vizinhos inventaram de botar o apê pela janela numa festinha que teve direito a uivos, corais desafinados no terraco, karaoke e gargalhadas ate as três da madrugada... Entao, imaginem como estou hoje! Só estou sentada aqui para nao faltar ao meu compromisso com vocês. E nem me perguntem como é que fui no mercado e voltei puxando aquele carrinho lotado que parecia pesar uma tonelada!.. Mas, em fim, já que estou aqui, e que tenho a maravilhosa chance de tirar uma longa e reparadora soneca depois de almoco, vou fazer o esforco e postear a crônica de hoje. E já vou pedindo desculpas de antemao se tiver algum erro de digitacao, porque já estou enxergando meio borrado...


    Quando vejo esse monte de gente tao cheia de problemas que nao conseguem solucionar e que nao somente afeta e prejudica eles mesmos, mas também às suas famílias e todos os que estao perto, que interferem em suas vidas profissionais e às vezes os levam a cometer atos extremos e sem volta, fico mais convencida de que todo mundo deveria fazer terapia psicológica pelo menos uma vez na vida. Nao sei, talvez esto deveria formar parte do currículum escolar ou professional durante pelo menos un ano para que as pessoas pudessem conhecer a si mesmas e aprender a lidar com as situacoes que podem ir aparecendo ao longo de suas vidas.  Aprender sobre seus processos e descorir algo assim como fórmulas, esquemas o dinámicas de percepcao e análise que pudessem utilizar para enfrentar e resolver conflitos, tomar decisoes mais acertadas, corrigir comportamentos daninhos e facilitar a convivência com os demais. Eu propria fiz terapia por seis u oito anos e posso assegurar que foi um dos investimentos mais proveitosos e duradouros que fiz em minha vida, pois até hoje posso utilizar tudo que aprendi com excelentes resultados.
    É verdade que eu cheguei no consultório da médica por causa de uma crise de pânico, mas se eu soubesse o bem que me faria nao somente para solucionar mi problema, mas também para melhorar a minha qualidade de vida depois  do tratamento, eu juro que teria ido muito antes. Acho que deveria ser uma espécie de opcao ao invés de uma obrigacao ou necessidade quando nao se está bem. Quantos sofrimentos, angústias, conflitos e accoes erradas nos pouparíamos! É tao agradável poder compreender, aprender a perdoar -sobretudo a si mesmo- a voltar atrás, a recomecar! Es algo tao liberador saber o que está acontecendo e ser capaz de reagir e sair adiante! Nao é que a terapia vai nos salvar dos desgostos, as perdas, fracassos ou erros, mas pode nos ajudar a diminui-los bastante e a fazer com que percebamos e reajamos de um jeito muito mais positivo e acertivo quando estes acontecam. A coisa nao é eliminar os problemas -até porque isto é completamente impossível- mas aprender a agir diante deles para nao prejudicar a nós mesmos nem os outros.
    Se eu pudesse -e nao soasse tao esdrúxulo dada a opiniao que se tem sobre ir a um psicólogo- eu recomendaria a todo mundo algum tempo de terapia. Com certeza, aos poucos, isto se faria menos necessário, já que o que se aprende nas sessoes seria passado de pai para filho, passaria a formar parte da dinâmica cultural de comportamento. Os processos da terapia seriam assimilados e se tornariam habituais e, seguramente, no fim teríamos uma sociedade muito mais equilibrada e pacífica.
    Como é que ninguém teve esta ideia ainda?
  

sábado, 14 de fevereiro de 2015

"Eu sei que você está aí"

    O calor deu uma trégua hoje -se é que 33° se pode chamar de trégua, porém, considerando que ontem fez 38°...- e até corre uma suave brisa pelas ruas, como se o verao quisesse se desculpar por nos fazer derreter. Mas verao é assim mesmo, entao está desculpado, pois é justamente a sua temperatura e seus céus azuis os que chamam às férias, à piscina, às praias e ao delicioso descanso, à curticao em família, às saladas e os sorvetes, aos shorts, havaianas e camisetas regata... Entao, o calor vale a pena, desde que nao sea exagerado. E aqui tem que aproveitar bem, porque nao dura muito. Logo chegam o outono e o inverno, que parecem nao acabar nunca mais, e ali estamos nós, morrendo de saudades destes días quentes e luminosos... Bom, é assim nos países nao-tropicais, mas eu o prefiro, porque 38 graus com 90% de umidade, ninguém merece!
    Entao, vou aproveitar a gentil trégua para postear as crônicas de hoje, antes que a temperatura suba e eu fique grudada na cadeira. Já estou parecendo uma lapa!


    Aprendi da minha mae que tem que tratar bem às pessoas, que tem que animá-las e elogiá-las, porém nao falsamente, pois mais cedo ou mais tarde elas vao perceber esta falsidade e vao acabar vendo-nos como a hipócritas. Tem que procurar sinceramente o detalhe, o gesto, a graca, tem que observar com amorosa atencao para descobrir o bom, o positivo, o necessário. Todos precisamos ser bem tratados, ser notados e levados em conta. Precisamos saber que as nossas caraterísticas positivas transparecem e sao valorizadas, sejam elas físicas ou espirituais. Precisamos lembrar que às vezes um encontro, algumas palavras ou um gesto sao capazes de mudar a vida de alguém. E se somos nós os portadores dessa mudanca? E se é a nossa palavra gentil e solidária, nosso gesto desinteressado, nosso sorriso ou nossa empatia e elogio o que salva o dia de alguém?... Nenhum encontro deve ser desperdicado, pois todos sao feito pequenas missoes que precisamos cumprir -ou ajudar um outro a cumprir- pequenas licoes que devemos aprender ou ensinar. É só procurar em nosso coracao a misericórdia, a bondade, a solidariedade, a honesta empatía com o outro e nosso gesto será sincero e terá efeito.
    Tem que tratar bem às pessoas, nao somente porque é bom para elas, mas também porque é bom para nós mesmos, e praticando esto toda vez que encontramos alguém, se tornará natural e fácil, pois nos ensinará a parar um pouco e a prestar atencao no -e nos- que nos rodeam, a sair um pouco da nossa concha, na qual podemos estar nos afogando e ficando cegos e surdos, egocéntricos, e a nos ocupar e preocupar por outras pessoas e situacoes, a nos afastar do nosso umbigo e contemplar os nossos problemas sob um novo ângulo, uma perspectiva que nos obriga à comparacao e reavaliacao, à renovacao e repostulacao diante da vida e os desafios que nos impoe.
    Tratar bem é dizer "Sei que você está aí e me importo com você". E demonstrá-lo. E isto, nos días de hoje, cheios de pressa, concorrência e receio, de distância e internet, nao tem preco e pode transformar muita coisa, pois nos mantêm humanos, próximos, cálidos, em contato.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

"Vida inconsciente"

    Hoje está excepcionalmente agradável, meio nublado e com uma leve brisa que passéia pelo apartamento, que está com todas as janelas abertas... Delicioso, inspirador. O verao decidiu dar-nos uma pequena trégua para que possamos refrescar os nossos cérebros meio cozidos, e se agradece. Aí sim da vontade de sentar para aescrever, entao vou aproveitar, antes que o sol mude de idéia e decida voltar a brilhar e esquentar e meu quarto vire um sauna bem quando eu vou dar a minha soneca deppois do almoco... Entao, aqui vai a da semana:


    É inacreditável como tem gente que nao se dá conta -ou nao se importa, o que é bem pior- de nada: se faz sol, se a louca ficou bem lavada, se o quarto está arrumado, se os jardins estao floridos, se os pássaros cantam. Nao percebem o que comem, o que cheiram, o que escutam, se tem algo novo, se a paisagem é bonita... Entendo que tem pessoas que estao absolutamente esmagadas, encurraladas, obsessionadas pelos seus problemas, mas também acredito que sair um pouco deles, se afastar para prestar atencao em outras coisas pode ser bom para renovar a perspectiva, para encontrar exemplos alentadores, para dar-se conta de que nem tudo na vida é negativo nem gira em torno delas. Às vezes, estas pessoas foram sempre deste jeito. Outras, foram ficando assim alienados com o passar do tempo e um acúmulo de experiências negativas que nao conseguiram resolver, e nao sao capazes de viver de outro jeito, mesmo sentindo vontade de mudar porque sabem que teriam uma melhor qualidade de vida. Deve ser duro, sobretudo quando se tem medo de mudar, quando se está convencido de que as coisas sao assim mesmo e nao tem nada a fazer. Mas o pior é quando se pensa que a gente merece, que cometeu tantos erros que agora tem de pagá-los levando esta existência cinza e sem consolo, sem beleza nem alegría, sem saída. O único que conta e do que se tem que ocupar sao os problemas e as culpas, que só ficam maiores com esta atitude. O círculo vai fechando e se deixa de enxergar os outos, as oportunidades, as solucoes, os presentes de Deus.
    Vida inconsciente, sem propósito, sem saídas. É terrível, mas é a vida que muita gente leva sem perceber ou sem conseguir escapar dela.