domingo, 23 de abril de 2017

"Anjos"

    "Problemas técnicos", poderia se dizer sobre meu silêncio da semana passada, pois meu computador decidiu entrar em greve de repente e tive de levá-lo no médico... E como sempre, era só um probleminha básico que eu própria poderia ter achado e resolvido se nao fosse tao jurássica com respeito a estes aparelhos modernos... Eu ligo, boto no meu rádio favorito (Tribuna FM, do Brasil), escrevo e bato papo com outros pelo Face. Além disso... Entao, essas coisinhas que quase todo mundo consegue solucionar apertando umas teclas, ou entrando nos mistérios recónditos da programacao, disco duro e todo aquele palavreado que para mim é a mesma coisa que o sánscrito, em meu caso sao uma situacao que requer a imediata e eficiente intervencao de um experto.
    E como já está todo solucionado, e depois de rir muito e ter que pagar pro rapaz pela minha ignorância, aqui vai a crônica da semana.



    Quando penso na quantidade de anjos que Deus tem botado -e continua a colocar- em meu caminho, desde os mais óbvios até os mais "sui géneris", a minha gratidao e admiracao, minha fe e fortaleza, a minha certeza de seu amor e compaixao, de sua compreensao, nao têm limites. Porque os anjos nao sao tao somente esses seres brilhantes e alados, belos e poderosos. Nao, agora sei que também sao pesoas com as quais nos encontramos todo día, em qualquer lugar e circunstância, e que nos trazem uma mensagem personalizada através de palavras o acoes, às vezes tao somente com a sua presenca... Mas é precisso que estejamos atentos, conscientes, abertos a estes encontros e as suas conseqüências. Temos que olhar à nossa volta, temos que escutar bem e acreditar, entender, porque se ficarmos tao somente esperando por alguma aparicao o intervencao espetacular (o que, é claro, também poderia acontecer) vamos perder as infinitas demonstracoes -e instrumentos- do amor e a misericórdia com que Deus nos presenteia cada día.
    Prestemos atencao ao que acontece à nossa volta, nas pessoas que encontramos -ou que já fazem parte da nossa vida- ao que fazem e dizem, pois sao licoes pra nós.... E quem sabe se nós também nao somos o anjo de alguém? A nossa humanidade nao nos tira este privilégio, pois Deus utiliza quem quer para seus propósitos.
    Definitivamente, o divino está muito mais perto do que imaginamos.

domingo, 9 de abril de 2017

"O preco da liberdade"

    O frio está chegando aos pouquinhos, já com algumas gotas e muitas nuvens, mas ainda temos días de sol esplêndidos, brisa fresca e agradáveis finais de tarde nas quais as criancas enchem as pracas para brincar e partilhar, os cachorros cochilam no calorzinho na grama e as janelas se abrem para que esta agradável temperatura invada os quartos... O outono é assim mesmo, parecido com a primavera: dias de nuvens, de sol, de frio e calor, de folhas secas e flores se abrindo, de jaquetas e camisetas, de botas e tênis... Nada se sabe até que o sol comeca a aparecer por trás da cordilheira, pois agora já estamos comecando a sair da cama quando ainda está escuro, entao o clima do día é sempre uma surpresa, já que nem sempre os meteorologistas acertam...
    E aproveitando que hoje o sol foi bonzinho e decidiu aquecer a cidade, nossos pés e a nossa alma, aqui vai a crônica de  hoje:



    Sim, uma das atitudes mais "divertidas"e contraditórias, desconcertantes do ser humano é a de se cobrar um preco de dor pela liberdade... que já possui. E que pelos mais diversos motivos se nega a assumir e desfrutar. Irónicamente, ser livre é tudo que deseja -livre de cobrancas, pressoes, culpas, ressentimentos, fracassos...- porém, toda vez que tem a chance de viver isto, parece que convence a si mesmo de que nao o merece e ao invés de abracá-la, prefere se castigar por obtê-la. Por quê?... Porque tem gente demais que nao é livre? Porque acha que nao tem feito nada para merecê-la? Porque tem certeza de que nao vai ser capaz de administrá-la? Porque alguém virá e a tirará dele?... Razoes ha milhares, das mais banais até as mais estapafúrdias, porém todas valem para nao se permitir a ansiada liberdade.
    Às vezes, quando passo pela Praca da Constituicao -que fica em frente de La Moneda, o palácio presidencial, e é um dos grandes pontos turísticos de Santiago- ou algum outro lugar onde tem turistas e vejo estes grupos de pessoas -quase sempre estrangeiros, junto com alguns chilenos de outras regioes- tirando fotos, percorrendo os sitios patrimoniais atrás de um guia, percebo que, em sua maioria, é gente da terceira idade. Usam bengalas, muletas, caminham devagar, sentando para descansar, e apesar de tudo isto, se mostram felizes, encantados, relaxados e LIVRES. Eles estao curtindo esta liberdade, que ganharam -assim como todos nós- sem medo nem impedimentos pelos seus achaques. Talvez sao diabéticos, cardíacos, têm problemas nos ossos, se cansam e tudo isso, porém nao parecem amedrontados nem acovardados por isso. Estao ali, em corpo e alma, desfrutando, rindo, conversando, partilhando a experiência e guardando boas lembrancas
    Sinto inveja ao ver como como aproveitam sem receios, sem cobrancas nem culpas esta merecida liberdade e descanso... É aí onde todos precisamos chegar.

domingo, 2 de abril de 2017

"Valiosos e importantes"

    Frio, porém com um sol radiante e uma brisa que mais tarde vao se tornar deliciosos... Sair no pátio pra ler ou simplesmente dar uma volta pela pracinha cheia de criancas brincando, cheiro de comida, senhoras batendo papo e aproveitando o calorzinho pra se divertir com seus filhos, cachorros correndo e assim esquecer do trânsito e a pressa da semana vai ser simplesmente um presente divino... Hoje estou assim, cheia de paz e simplicidade, como deve ser...
    Entao, aqui vai a de hoje, junto com um conto, como prometi, voltando a postar nos fins de semana.


    Mas nós nao valemos pelos aplausos, os elogios ou o prestigio. Por exemplo, nao está meu valor em estar dando aulas, montando espetáculos ou recebendo prêmios, assim como tampouco em levar agora uma vida doméstica, modesta e anônima... Nao, valemos pelo que somos, sem importar onde nem quando, e o que somos intrinsecamente é bons, compassivos, generosos, solidários, otimistas, criativos, sensíveis, caridosos, bem-humorados, mágicos... Temos defeitos, é claro, porém eles nao sao grandes o bastante como para opacar  as nossas qualidades, a nossa essência. Somos todos guerreiros, e isto é o que nos torna valiosos e importantes. Fazemos a nossa parte, a nossa boa parte, e isto é o que faz do mundo um lugar melhor, nao interessa que nao apareca nos jornais nem na televisao.
    Esta é a verdade, a verdade de todos os seres humanos. Agora precisamos assimilá-la, acreditar nela, voltar a fazê-la nossa -como ja foi um dia- para vivenciá-la e matar esse monstro tirano e cruel que nos devora um pouquinho mais a cada dia com a sua pressa, sua ambicao, seu egoísmo, seus medos, castigos e cobrancas desmedidas, encadeando-nos à passados mortos e inúteis que só nos prejudicam e nos afundam em depressoes e matam os nossos sonhos, roubando-nos a paz e o equilíbrio.
    Precisamos tomar esta nova atitude de uma vez por todas, criar coragem e nos jogar, arremeter contra  o dragao feito cavalheiros de armadura e derribá-lo definitivamente. Porque merecemos um futuro feliz, digno, produtivo e sereno. Todos nós.

domingo, 26 de março de 2017

"Ser humano"

    Bom, nao é que tenha sido abducida por um ovni ou coisa parecida. Simplesmemnte, as férias se esticaram mais um pouquinho do calculado e voltamos às postagens nos finais de semana, pois a semana também ficou meio complicada, pelo menos mais do que os fins de semana, entao... E depois, acho que sábados e domingos sao dias ideais pra sentar e ler algguma coisa. Eu mesma estou curtindo um livro agora, coisa que nao fazia há muito, muito tempo!... Entao, retomando os velhos hábitos e semana que vem com contos novos. Estas férias fizeram muito bem ao meu corpo, minha mente, meu espírito e à minha inspiracao, definitivamente.
    Entao, voltando neste dia fresco, ensolarado e tranquilo, aqui vai a da semana:



    O ruim de querer ser perfeito -o que, diga-se de passagem, é totalmente impossível, nao importa o que digam- ou ter um sucesso sem impedimentos, de lutar com tanto desespero para dar esta imagem, é que com o passar do tempo, a gente acaba se transformando num tirano monstruoso com nós mesmos e com os outros e em prol desta imagem, desta meta que acreditamos, ingenuamente, nos fará ser aceitos e amados, e até perdoados por Deus, quem nos abrirá as portas do paraíso terrenal e celestial... Crasso erro! Porque, invariávelmente, chegará um momento en que a situacao se tornará tao exigente, com padroes tao altos e cruéis de comportamento, tao tiranos e punitivos, que a situacao vai se tornar insustentável. pois o conflito entre o que somos -falíveis, fracos, imperfeitos- e o que achamos que deveriamos ser para os outros -e para Deus- ficará tao violento que acabará por quebrar-nos. Este tipo de atitude nos nega o direito de dizer "nao", "estou cansado", "nao aceito isto", "nao quero esta situacao", "eu sou mais importante", nos pune por ter sentimentos que seriam "pouco nobres", por "falhar", por mudar de idéia ou nao concordar com a opiniao de outros.
   Somos simples humanos e tudo que podemos fazer, como diz a magnífica Judi Dench no filme do Hotel Marygold, es levantar-nos cada manha e tentar fazer o melhor possível, com fe, persistência, alegría e serenidade. Isso já é suficiente, porque significa aceitar e trabalhar com esta humanidade cheia de imperfeicoes e belezas que precisamos aprender a equilibrar para desfrutar de uma existência, plena, digna, e tranquila, produtiva, sem culpas, castigos nem cobrancas.
    Isso é ser humano.

quinta-feira, 2 de março de 2017

"Será que era bom saber?"

    Na verdade, é muito esquisito estar postando a crônica hoje, plena quinta-feira, sobretudo porque podia tê-lo feito no sábado ou no domingo, já que a minha filha nao tinha voltado ainda de Viña, entao tive bastante tempo. Mas como queria fazer a experiência de publicar no meio da semana... Bom, é mesmo MUITO esquisito. Me da vontade de voltar aos finais de semana, cortar um pedaco da soneca de sábado e domingo ou  do programa chato da tevê e sentar aqui para escrever. Bom, e como sou uma adicta às rotinas, de repente faco isso... Este fim de semana também estarei folgada porque a minha filha sai de férias e iremos por alguns dias pra praia. Voltarei em tempo para publicar a crônica -e quem sabe um conto também- sábado e domingo. Mas aí aviso a vocês.
    Entao, por enquanto, vamos completar este experimento e aqui vai a crônica da semana.



    Vejo as pessoas caminhando pelas ruas, subindo e descendo de ônibus, táxis e coletivos, saindo e entrando de prédios e lojas, emergindo das estacoes do metrô, em pracas, escritórios, bares e restaurantes, carregando sacolas, pacotes, pastas, caminhando geralmente apressadas, sozinhas ou acompanhadas, de todos os tipos e condicoes sociais, e sei que todas elas têm um destino, jogam algum papel na história, têm uma missao, por menor ou anônima que seja. E percebo que todos, de um jeito ou outro, somos importantes neste todo infinito que é a vida. Até quem passa despercebido tem seu papel, significa algo.
    Quantos destinos existem? Com quantos cruzo cada día? Para onde vao? O que pretendem? Vao conseguir?... E eu? Qual é meu papel? Vou descobri-lo? Serei capaz de cumpri-lo? Será uma surpresa, um desafío, uma tragédia, uma béncao?
    Será que era bom saber?...

domingo, 19 de fevereiro de 2017

"Em segredo"

    Eu sei que disse que este fim de semana nao iria publicar nada porque mudaria as postagens para segunda ou terca, ou qualquer outro día da semana, já que sábado e domingo estavam ficando meio complicados, mas como a minha filha está em Viña del Mar cobrindo o festival da cancao de lá, que acontece semana que vem, pelo que ela ficará por lá pelos próximos dez días, está me sobrando bastante tempo, entao, acho que por mais esta semana publicarei no domingo... E hoje tem conto novo!... Na verdade, esse negócio da dor nas costas por estar sentada tempo demais diante do computador é porque preciso escrever tudo duas vezes, uma em espanhol e outra em português, por isso demoro tanto e as minhas costas reclamam. Porém, agora irei com calma -como ando fazendo tudo últimamente, que é mais saudável- e de repente publico em espanhol hoje e em português amanha... Vamos deixar as coisas acontecerem naturalmente, sem estresse.
    Entao, aqui vai a crônica de hoje!



    Sempre que se fala em triunfos, imediatamente nos vêm à cabeca um ato grandioso, algo que chama a atencao e nos coloca acima dos demais... Nao digo que estas vitórias nao sejam meritórias nem que nao engrandecam quem as obtém, que nao sirvam de exemplo e inspiracao para outros, mas também acho que temos de perceber e comemorar -e muito, pois estou convencida de que sao muitos mais- esses pequenos triunfos, os de cada día, aqueles que, juntos, sao capazes de transformar a nossa vida: vencer a preguica, a timidez, o mau humor, o medo, o desânimo, a maledicência, a indiferenca, o derrotismo... Pequenas atitudes, pequenas vitórias, pequenas melhoras, em segredo, só entre nós, Deus e nosso espírito, sem publicidade nem aplausos. Sozinhos, cada día, diante de cada situacao que o requer, repirar fundo, erguer a cabeca e dar a luta. E ganhar.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

"Criancas e adultos"

    Estou pensando seriamente em mudar o dia em que publico estas crônicas, pois os finais de semana estao ficando meio complicados para fazê-lo. E como, na verdade, tenho todo o tempo do mundo disponível - a nao ser por algumas pequenas obrigacoes- para fazer isto quando melhor me convenha e esteja mais calma e inspirada, acho que poderei fazê-lo sem problemas. É verdade que o próximo fim de semana estarei mais livre porque a minha filha estará em Viña del Mar cobrindo o festival da cancao, mas depois disso tudo voltará ao normal e será complicado de novo. Entao, ja deixo avisado que semana que vem publicarei a crônica nao no domingo, mas na segunda, terca ou quarta da seguinte... De qualquer jeito, podem lê-las quando quiserem, já que sao curtinhas, mas é bom avisar, nao é mesmo? Assim, ninguém fica perdido e acha que renunciei... Vamos fazer o experimento e aí vocês me dizem o que acham. Sei que o fim de semana é melhor para ler qualquer coisa, mas como sao textos curtos, acho que podem fazer isto a qualquer hora, entao... Vamos ver no que da. Também fica mais fácil para publicar os contos, já que assim posso fazê-lo em dois dias diferentes e deste jeito as minhas costas nao sofrem tanto por estar muito tempo sentada diante do computador... Ah, é a idade chegando.
    E aqui vai a desta semana, ainda em domingo.



    Realmente, tem coisas que nao deveriamos abandonar nem deixar de lado ao virarmos adultos. Porque à medida que crescemos, nao sei por quê, vamos ficando pretensiosos, exibicionistas, cheios de pose, demasiado ambiciosos e complicados... Por exemplo: dêem para uma crianca uma mangueira ou uma piscina de plástico, um pacote de bolachas ou un sanduíche de queijo e presunto, uma garrafa de refrigerante num dia de calor e ele te dirá que passou as melhores férias da sua vida. E nao estará mentindo. Já um adulto acharia tudo isto cafona, denigrante, insignificante, patêtico, pobre... Nao, agora este adulto precisa de um hotel, uma praia, restaurantes, carro, passagens de aviao, toda uma infraestrutura que lhe mostre ao mundo o bem que está indo, para poder se gabar das suas férias... Pode ser até agradável, mas se pensamos no estresse devastador que obter tudo isto pode significar, a coisa como que perde bastante a graca. As criancas nao vêem além. Elas se contentam com o que o momento lhes oferece e o aproveitam ao máximo...a nao ser que já tenhamos lhes enfiado estas coisas de adulto em suas cabecinhas.
    Isto é algo que nao deveríamos perder (e o fazemos de propósito, obrigados pelos estándares que deixamos os outros impôr sobre nós) ao nos tornarmos adultos, pois isto nos rouba toda a verdadeira diversao e  a sanidade, a percepcao dos pequenos milagres que acontecem todo dia em nossa existência e a importância que eles têm em nossa formacao como seres humanos melhores.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

"Esse primeiro passo"

    Ninguém merece pegar uma gripe bem no verao, porém eu tive essa capacidade, mesmo se nao ficou claro pra mim se foi mesmo uma gripe ou o resultado de toda a fumaca e as cinzas que vieram parar em Santiago por causa dos incêndios forestais que estavam assolando a regiao centro-sul do Chile... A coisa é que passei uns dias jogada no sofá, com a garganta irritada, dor no corpo e todas aquelas coisinhas gostosas e tao agradáveis inerentes à qualquer gripe que se preze... Mas pelo menos serviu para ter algumas idéias pra contos e até escrever um par delas, entao, nem tudo foi prejuizo... Ainda bem que agora esses incêndios estao controlados -mas nao apagados- com a valiosa e generosa ajuda de avioes e bombeiros de outros países, e a fumaca e as cinzas sumiram quase por completo. Já da para ver a minha amada cordilheira novamente e eu estou de pe  e pronta para voltar e publicar e escrever, entao aqui vamos de novo!...


    Nao fui com a cara do homem assim que o vi. Me recebeu com a expressao fechada e se desculpando por nao estar usando o avental branco, mas é que estava um calor insuportável e a sala dele nao tinha ar condicionado. Me examinou de má vontade e foi bastante desagradável para responder às minhas perguntas, pelo que acabei ficando calada y dexando ele reclamar e me dar bronca por estar estressada... Bom, pelo menos nao me mandou fazer uma endoscopia! E isso já foi lucro.
    Sai da consulta com uma receita para um remedio contra gases e um difestivo e a desagradável sensacao de nao ter resolvido nada porque, na verdade, nao tinha sido atendida. E o pior é que precisava voltar dali a um mes para uma revisao. Estive várias vezes prestes a cancelar a consulta, apesar do mal que me sentia. Quer dizer, fui lá porque estava  passando péssimo e estava super preocupada e resulta que saí pior do que entrei. De qualquer jeito, podia procurar outro médico num outro lugar -o que sairia bem mais caro porque meu plano nao cobriría isso- prém um pouco antes da segunda consulta, decidi comecar mis sessoes psicológicas para resolver também a parte emocional dos meus malestares, e tomei um par de ansiolíticos... Resultado?... Os sintomas quase sumiram, entao, quando retornei no médico chato, meu astral era outro bem diferente, pelo qual resolvi encará-lo de um jeito positivo, empatizando com seus desgostos e escutando-o com boa vontade e interessando-me pelo que tinha a dizer. Porque com certeza, nenhum de seus paciente lhe dava essa chance.
    O que foi que aconteceu?... Pois que o homem virou uma outra pessoa! Se relaxou, sorriu, me deu conselhos positivos e até fez um par de piadas. Nos despedimos feito velhos amigos e eu com a mais absoluta certeza de que tudo depende da NOSSA atitude para com o outro. Sempre ficamos aguardando que os outros dêem esse primeiro passo, deixando-lhes toda a responsabilidade -e a culpa- de um bom resultado, ao invés de nós tomarmos a iniciativa. É claro que nem todos reagirao tao bem quanto o fez este médico, porém, algum tipo de comunicacao positiva que agirá em favor de ambos vai ser gerada e assim tudo será mais fácil e prazeiroso. E isto vale também para as situacoes complicadas: encará-las com um espírito corajoso e positivo, com fe, certamente a tornará mais suportável e até seremos capazes de resolvê-la e ganhar essa batalha.
    Definitivamente, vale a pena o esforco de dar esse primeiro passo, de chegar com o espírito positivo, com uma empatia sincera que nos faca esquecer um pouco de nós mesmos para calcar os sapatos do outro... A reacao é quase sempre um pequeno milagre.

domingo, 22 de janeiro de 2017

"Barulhos"

    Uma boa notícia: Esta semana tem contos novos!... A inspiracao está à mil!... E uma notícia ruim: os incêndios forestais que assolam nestes dias meu país amado. A cidade está cheia de fumaca, nao se pode ver o sol nem a cordilheira e está um calor quase insuportável. Me lembra o que sentia lá no Brasil, só que aqui a umidade é de 15 ou 20% e tem muito vento, o que faz com que as chamas se espalhem por todo lugar e ultrapassem os esforcos de bombeiros, brigadistas, Conaf (órgao encarregado da parte forestal) e todas as pessoas que estao tentando combater esta tragédia. Várias regioes têm sidio declaradas zonas de catástrofe e a coisa nao tem pra quando terminar, pois as condicoes climáticas nao estao ajudando em nada... Morro de pena daquela gente que já perdeu ou está prestes a perder tudo que tem e, apesar da fumaca e do calor sufocante, nestes instantes me considero afortunada por morar na capital, pois -até este momento- o fogo está longe daqui, mesmo se as suas consequências nos atingem do mesmo jeito...
     Entao, mesmo triste e muito preocupada, hoje sento aqui -com um leque na mao- para postear a crônica da semana e mais um par de contos novos. Tomara que curtam eles! Vao para pazaldunate-estorias.blogspot.com e leiam!



    Ao longo do dia a gente acha que escuta tudo que é possível escutar numa cidade feito esta, lotada de pessoas, carros, ônibus, construcoes, desfiles, sirenes, marchas, vozes, latidos... Um enxame infinito e por vezes meio assustador. Nao tem um minuto de silêncio, pois mesmo se nos finais de semana e no feriados este alboroto diminui bastante, aquele rumor abafado e constante que desce desde a avenida Alameda nao pára jamais. Parece um panal de abelhas trabalhando as 24 horas do día. A gente acaba se acostumando e até acha que existe algo de silêncio na madrugada, no intervalo entre aqueles que estao indo dormir e aqueles que estao levantando... Nao dura muito, mas se a gente está acordado -desacostumado com esta insólita "quietude"- pode se perceber outros barulhos: nosso coracao batendo, a nossa respiracao, o sussurro dos lencóis, o canto de um bem-te-vi numa árvore distante, o despertador musical do vizinho, os rangidos da casa com as mudancas de temperatura... E é um bom momento para pensar, para planejar, para decidir, para se dar conta, para rezar, para perceber que estamos vivos, para nos perguntarmos se somos felizes, se somos amados, se nos sentimos realizados, se estamos amando. Se pode considerar alguma mudanca, algum pedido de perdao, alguma surpresa. Nessa hora, o barulho da nossa existência é mais poderoso do que toda a barafunda que reina ao longo do día, e nos traz de volta à realidade mais simples e certa: nós mesmos.

domingo, 15 de janeiro de 2017

"O tempo"

    Suponho que quando a gente vai ficando velha comeca a se preocupar -ou a perceber com maior clareza- com este negócio da passagem do tempo, do que tem feito ou deixado de fazer naquele que já passou e do que ainda poderia realizar naquele que ainda resta. Nao é algo deprimente ou assustador (apesar de que pode ser pra muita gente) porém sim intrigante, que faz com que nos perguntemos muitas coisas e nos esclarece outras, o que pode resultar numa melhor qualidade de vida, uma plenitude que nunca sentimos antes, pois nao tínhamos a consciência que temos hoje, com mais idade, e por isso nao lhe dávamos a devida importância... É incrível como, quando a gente é jovem, acha que nunca vai envelhecer, que vai durar pra sempre, como diz a cancao de Cat Stevens, e que vai poder fazer tudo que quiser ou planejar... Bom, a verdade é que muito pouca gente consegue isto, e podemos nos considerar afortunados e realizados se temos sucesso em pelo menos a metade dos nossos projetos. Nao se trata de ser pessimista ou conformista, mas de nos sentirmos agradecidos por ter tido a oportunidade de construir, de entregar, de partilhar, de amar e aprender tudo que nos foi possível ao longo do tempo que tivemos e nao de nos amargurar pelas poucas coisas que nao conseguimos... Como diz aquela frase de televisao: "Nao tenho tudo que amo, mas amo tudo que tenho"...
   Pôxa, isto já está parecendo a crônica da semana! Mas nao, é uma outra, que também tem a ver com o tempo. Uma pequena reflexao que me ocorreu outro dia ao assistir a entrevista de uma velhinha sorridente e cheia de vigor e criatividade, lúcida e agradecida, num jornal da tevê. E ela dizia, sorrindo, com os olhos brilhantes: "Bom, se tem que morrer, pelo menos tem que fazê-lo feliz e satisfeita, feliz e realizada em tudo que for possível!"... E como ela está certa!...


    O tempo passa. Nao pára. Nao importa se estamos ativos ou ociosos, saudáveis ou doentes. Nao importa se somos ricos ou pobres, famosos ou desconhecidos. Nao interessa se somos felizes ou se vivemos uma tragédia, se estamos sozinhos ou acompanhados... Nada disto nos salva da sua passagem, dessa característica de nao poder voltar atrás, de nao poder pará-lo ou fazer com que corra mais devagar ou mais rápido. Nada, absolutamente nada, interfere em seu transcurso. É único, um só, acontece uma vez só e, infelizmente, boa parte de nós passamos a vida toda sem perceber isto.

domingo, 8 de janeiro de 2017

"A gente pode se dar ao luxo"

    Muita comemoracao, muita comida - a minha endocrinologista me mata se souber tudo que andei comendo, mas tudo bem, é só uma vez no ano- muita correria e muita festa nos apartamentos e prédios vizinhos, o que significou nada de sono, entao passei o dia primeiro, no qual deveria ter postado a minha primeira crônica do ano, cochilando no sofá, na cama, no banco do jardim... e por aí vai... Mas, como as festas acabaram, já estou acordada de novo, entao sento diante do computador  para publicar a primeira do ano, mesmo meio atrasada, porém cheia de empolgacao e boas expectativas... Tomara que gostem e seja feito um pequeno presente.



    E passadas as festas, as cábalas, os brindes, os presentes, os bons desejos e propósitos para o novo ano, os enfeites, as luzes e o presépio voltam para as suas caixas e a vida retoma a sua rotina como se nada tivesse acontecido... É tao curioso, porque ela nao se importa com o fato de que um novo ano deu início. Nao, a vida continua, impertérrita, sempre em movimento, levando-nos em sua corrente sem fazer distincao entre nenhum de nós. Na verdade, somos nós, com os nossos rituais, a nossa fe e nossos sonhos, projetos e números, quem transformamos tudo. E podemos nos dar ao luxo de botar os ingredientes que bem entendermos. Podemos fazê-lo especial, feliz, exitoso, pacífico, equilibrado, saudável, altruísta; ou entao transformá-lo numa catástrofe que nos afundará e nos manterá derrubados, amargurados, pessimistas, assustados, cheios de ressentimento e auto-compaixao, de inveja e angústia... Entao, temos que pensar direito.
    E eu digo, vamos acabar com todo o negativo!... Voltemos a acreditar, a entregar, a partilhar, a sonhar e construir para que o mundo e a vida de todos seja melhor e nos sintamos realmente como irmaos. Vamos presentear sorrisos, palavras de ânimo e coragem, elogios, abracos, olhares sinceros, apóio, bons e desinteressados conselhos, fe e amor. Acima de tudo amor, muito amor, em todas as suas formas, para todos que cruzarem o nosso caminho, sem distincao.