domingo, 1 de outubro de 2017

"Maravilhoso e inalienável poder"

    Tempo demais em silêncio, eu sei, mas tenho tido tempos difíceis porque uma de minhas melhores amigas descobriu que está com câncer avancado, entao, tenho passado muito tempo com ela tentando ajudá-la, apoiá-la, estar ao seu lado e animá-la. Porém, este tipo de coisa acaba abalando a gente, mesmo se tentamos evitá-lo e manter-nos firmes e positivas, entao, é claro, zero inspiracao... No entanto, percebo que, mesmo apesar de tudo isto, a nossa vida continua e nao podemos parar, ficar doentes ou morrer quando alguém que amamos o faz. Tem que seguir em frente, tem que escarafunchar no fundo a trazer a inspiracao de volta, precisa escrever e contar, porque essa é uma missao que nao podemos abandonar. É preciso continuar enquanto se pode, caso contrário, a nossa vida perde o sentido, pois a vocacao nao se pode enterrar, esquecer, ignorar...
     Entao, retornando, ferida e com muita tristeza, impotente, aqui vai a crônica desta semana, e espero poder continuar sendo regular, pois escrever é a minha melhor medicina.



    Por que será que às vezes nos custa tando desfazer-nos de certas coisas? Pessoas, situacoes, hábitos, dinâmicas que nos fazem mal e nos impedem de crescer, avancar, atingir o equilíbrio e a felicidade, a paz... E toda vez que aparece uma chance de deixar isto para atrás, aparece também a excusa para adiá-lo: estou muito ocupado, preciso sair, meus filhos precisam de mim, hoje é dia de lavar a roupa, de ir no mercado, na feira, no médico... As desculpas sao infinitas e lhes damos uma absoluta e convincente validade, e desta feita continuamos por mais um tempo carregando esse lastro inútil e nocivo, mais acostumados ao sofrimento que nos provoca do que à expectativa de algo novo, nao importa se é positivo.
    Acredito que nao podemos afirmar que nao reconhecemos as armadilhas que o nosso inconsciente nos bota no caminho para que continuemos nesta dinâmica na qual é ele quem governa e, mesmo assim deixamos que ele nos manipule, pagando como preco a tristeza, a doenca física e espiritual, a angústia, a inseguranca, a fragilidade e a dependência, sem admitir -ou sem perceber mesmo- que todo este sofrimento é pura fantasía, costume, medo de mudar, medo de sermos felizes. Isso mesmo. Porque ser feliz significa uma grande responsabilidade: a de amar a nós mesmos, nos cuidar, respeitar e perdoar. Todos queremos ser felizes, porém, boa parte de nós tem medo ou achamos, pelas mais diversas razoes, que nao o merecemos e assim, escolhemos um castigo que nao tem fim, nos mantendo ancorados a velhos hábitos, lembrancas, processos e relacionamentos que vao destruindo-nos lenta e implacávelmente.
    Nao é fácil -eu que o diga!- tomar esta decisao, esta atitude radical positiva, mas tem que ser feito, passo a passo, um dia de cada vez, acordar todo dia com a firme e otimista resolucao de se enfiar na "lixeira emocional" e comecar a jogar fora tudo isso que nos faz tao mal, nao importa se nos assusta. Nao vamos ficar vazíos! Pelo contrário, vamos ser finalmente livres  e teremos um espaco  vazio e limpo para nos encher de nova vida, de experiências e relacionamentos positivos, de paz e equilíbrio. Nós é que vamos ser os governantes das nossas próprias existências ao invés daquele inconsciente tirano e atado ao negativismo.
    Todo o presente está construido pelo que já passamos, no entanto, isto NAO é uma sentenca irrevogável. Nós, gracas à Deus, temos o maravilhoso e inalienável poder de mudar isto.

domingo, 13 de agosto de 2017

"Fé, otimismo e criatividade"

    As ausências continúam, eu sei, mas parece que o universo conspira -ou, melhor dito,  tenta me ensinar alguma coisa- para que eu nao consiga sentar para escrever. Agora acontece que a senhora que vem fazer faxina para nós está hospitalizada, aguardando para ser operada da vesícula -E, sinceramente, nao entendo por que esses médicos estao levando tanto tempo para fazê-lo. Sério, mais parece que, ao invés de curá-la, estao tentando matá-la aos poucos!- e eu tive de me encarregar de tudo que ela fazia, que nao é pouco. Entao, de repente nao está me sobrando muito fôlego nem inspiracao para escrever qualquer coisa. Vamos ver se a operam amanha de uma boa vez, antes que a sua vesícula exploda e ela morra de septicemia. E assim, uma vez recuperada, volta com a gente e eu tenho mais tempo e ânimo para escrever sem mais interrupcoes... Ufa, vida de dona de casa com duas cadelinhas e 61 anos recém completados nao é fácil!...
    Mas como hoje é a minha filha quem vai fazer o almoco e ontem arrumamos uma moca que virá fazer faxina e lavar enquanto a outra nao volta, hoje estou aquí, livre e mais relaxada. Vamos ver se continua assim...

    A quem me disser que as forcas superiores -Deus, Budah, Alá, seres iluminados, anjos, etc.- nao estao em contato com a gente e nao se preocupam -nem ocupam- com o que nos acontece, certamente lhe responderei que está errado. Para cada situacao pela qual passamos há centenas de mensagens ao nosso redor, às vezes nas coisas ou pessoas  mais banais ou inesperadas, em situacoes que nao imaginamos. Como descobri-las e entendê-las?... Pois, simplesmente, saindo um pouco de nós mesmos e aquilo que nos aflige ou intriga -às vezes obsessivamente- e olhando ao nosso redor. As mensagens e respostas estao ali, se de verdade desejamos descubri-las e entendê-las. E é justamente ali que está o "X" da questao, do qual depende o resultado: Queremos realmente encontrar respostas e saídas? Temos fé em que estao ali para nós? ¿Ou estamos mais cômodos", ou acostumados, resignados, enfronhados no sofrimento, o ressentimento, a depressao, o medo?... Mas se realmente desejamos sair desta situacao negativa, entao com certeza as acharemos.
    A fé, o otimismo e a criatividade nao estao fora de moda e sao eles que abrem nossos olhos, ouvidos e coracao para que sejamos capazes de perceber estas mensagens que todas as forcas superiores nos enviam cada día.

domingo, 23 de julho de 2017

"Precioso e único presente"

    Chuva, calor, neve, frío, sol radiante, frío novamente... O clima últimamente anda parecido com meu espírito, que está constantemente mudando, descobrindo o sol, as tempestades, o frío, a calidez, a seguranca, as dúvidas, as perguntas e respostas, as acoes... Nuvens e sol, porém sempre vivo e atento, lutando por melhorar e ser feliz. Acredito que é desse jeito que tem que ser. Nao se pode desistir, apesar de alguns fracassos. Estamos destinados às vitórias, grandes e pequenas, entao, tem que seguir em frente, contra vento e maré, às vezes contra nós mesmos, que podemos acabar nos transformando em nossos piores inimigos e sabotadores... Acreditem, sei muito bem do que estou falando.
    E como é preciso continuar, mesmo se antes de ontem estava um sol espetacular e até quente e hoje já chove e está muito frío, aqui vai a da semana. Quero ver se a próxima vem acompanhada de um conto novo.. Vamos ver o que  manda a minha inspiracao.



    Tem que acordar pela manha, abrir os olhos e se espreguicar, respirar fundo... e deixar que o dia comece a transcorrer. Precisamos aguardar pelo que vai acontecer, quais serao as situacoes e pessoas que encontraremos. Temos que ir descobrindo com fe e otimismo, com coragem, em que iremos nos transformando ao longo das horas e os fatos e, no fim do dia, conferir as nossas conquistas e derrotas (porém, sem nos punir por elas, mas dando-nos mais uma chance) as licoes que aprendemos para assim fazer do dia seguinte um tempo melhor, mais feliz e produtivo, mais sereno e equilibrado.
    Bem que se diz que cada dia traz seu próprio afazer. É a mais pura verdade, sobretudo porque é o único que temos. O ontem já passou e o amanha nao chegou ainda. Entao, vamos nos dedicar a este precioso e único presente vivendo o mais plenamente possível todas as pequenas e grandes coisas que nos depara, sem querer controlar, apressar, impôr, pois fazendo isto tudo perderá seu frescor, a sua surpresa, sua mensagem e suas descobertas... Cada momento é único e irrepetível, e é deste jeito que tem que ser vivenciado.

domingo, 16 de julho de 2017

"Precisamos avancar"

    Algumas semanas de silêncio, muitas provacoes, dúvidas, perguntas ainda sem resposta, decisoes e lutas que parecem nao ter fim, pois bem quando achamos que estamos no caminho certo, tropecamos novamente, traídos pelas nossas próprias histórias, medos e conflitos, pelos maus hábitos e o desânimo... Porém, como nao tem mal que dure cem anos, cá estou novamente, pronta pra seguir em frente, mesmo se pode haver alguns buracos no caminho... E foi engracado -e quase divino- pois quando abri meu diário hoje para ver qual seria o tema da crônica, o tema que saiu tem tudo a ver com a minha situacao atual e, quem sabe, com a de alguns de vocês... Espero que lhes seja útil, entao, como foi para mim, mesmo se fiquei com dor de barriga...



    É engracado -e às vezes triste e até trágico- ver como algumas pessoas lutan com tanto denodo para permanecer paradas em certas épocas e desfrutar eternamente das realizacoes que nelas obtiveram sem perceber que, com isso, estao desperdicando as outras realizacoes que as novas etapas trarao. Nao sei se é medo do desconhecido, receio de nao encontrar mais desafios ou sonhos para concretizar ou vencer, talvez a negacao de que merecem a recompensa, o descanso, a liberdade, ou entao aquela sensacao de derrota e resignacao que toma conta das pessoas quando atingem uma certa idade... "Ah, agora já estou nos descontos", dizem, e sentam no sofá diante da televisao, esperando a doenca, a dependência, a ausência, a fragilidade, a morte.
    No entanto, a coisa nao funciona desse jeito. Cada etapa -inclusive a última- desde que nascemos, traz as suas próprias e únicas realizacoes, todas distintas para cada um: a escola, a faculdade, a carreira, a família, a casa, os empreendimentos, o aprendizado, o amor, os recomecos, os sonhos e as lutas. Cada uma corresponde a uma parte da nossa vida e nos transforma em quem somos. Entao, precisamos avancar sempre para descobrir e vivenciar a próxima com tranquila plenitude e felicidade. A realizacao tem seu ciclo e quando atinge seu ápice e final devemos guardar a satisfacao, as licoes, a felicidade e a gratidao por tudo que vivemos, porém, jamais devemos parar ali nem tentar revivê-la eternamente, assim como tampouco nos enfronhar numa realizacao que nao corresponde àquela etapa da nossa vida.
    Nenhuma realizacao  ou etapa é desprezível, por mais modesta ou difícil que possa parecer. Só nós sabemos seu valor e seu significado e issos é o que realmente importa.

domingo, 25 de junho de 2017

"Afrouxar as rédeas"

    Bom, e uma outra "pequena emergência familiar" me manteve mais pra lá do que pra cá esta semana, porém nao o bastante como para me impedir de sentar aqui para publicar a crônica da semana... apesar da dor no traseiro... Acho que por causa do antibiótico que a dentista me receitou -mas que era necessário- fiquei sem flora intestinal, estouraram as minhas hemorróidas e outras coisinhas bem pouco agradáveis, mas estou  saindo de tudo iso e semana que vem ja estarei pronta para outra... Ainda bem que nao tengo nenhuma outra visita em nenhum outro médico, pelo menos semana que vem, porque na próxima deverei ir no oculista e na diabetóloga... Nossa, parece piada!... Mas isto deve ser parte do meu "inferno astral", já que daqui a um mes estarei de aniversário, entao é de praxe -segundo a cultura popular- que este tipo de situacao aconteca por esta época... Bom, se é isso mesmo, paciência, porque prefiro ir no médico e sarar do que andar por aí me arrastando por ser cagona...
    E assim, com este pequeno toque medicinal e pronta para o jogo entre o Chile e Austrália hoje à tarde, junto com todo o país (A gente precisa ficar com essa taca!!!!) aqui vai a crônica da semana... e  nada de contos novos ainda. As cólicas intestinais tiram a inspiracao de qualquer um,  podem ter certeza...



    Se soubéssemos a quantidade de coisas boas que poderiam nos acontecer se deixássemos, por um dia que fosse, de tentar controlar tudo!... Queremos agora, do nosso jeito, sob as nossas condicoes e preenchendo as nossas expectativas. Nao desejamos surpresas -mesmo que possam ser positivas- improvisacoes, nao saber, nao controlar, y por isso perdemos uma quantidade absurda de oportunidades de curtir, de nos surpreender, de aprender, de partilhar, de descobrir. As coisas precisam acontecer sozinhas, sem as nossas pressoes, prazos ou regras, e elas acontecem porque estao em nosso destino, porém, às vezes poderiam fazê-lo de um jeito muito mais positivo, ou bem antes, se nós relaxássemos e pensássemos, ao abrir os olhos cada manha: "E bem, o que será que este novo dia traz pra mim?"... É claro que tem rotinas, necessidades e obrigacoes que nao podemos simplesmente deixar ao léo, pois a nossa vida viria abaixo, mas parece que estas obrigacoes nao têm limites e as transferimos para aquilo que deveríamos deixar acontecer livremente. Nao conseguimos -por medo, pressao social ou familiar, orgulho, vaidade, ambicao- deixar de lado o aparente poder que o controle nos da, pois receamos que a nossa existência e tudo que conseguimos, humana, profissional e até espiritualmente, desabe, se desintegre se nos damos a liberdade de afrouxar um pouco as rédeas. Porém, às vezes, controlar nao é poder e sim tiranía, escravidao, angústia, frustracao, tristeza, castigo. É uma paisagem cinzenta e plana onde tudo é conhecido e calculado.
    Deixemos que amanheca e que as horas vindouras nos tragam seus presentes, pois com certeza, a nossa ânsia de controle fecha a porta para todos eles.

domingo, 18 de junho de 2017

"Quando a chuva passa"

    Bom, desta vez fui eu quem teve a "pequena emergência familiar"... Quatro dias sentada na cadeira do dentista tiram da gente  até a mais leve sombra de inspiracao!... Mas todo o tratamento já acabou -e foi um sucesso, apesar da dor infernal e do antibiótico que deixou o coitado do meu cólon em coma- e estou inteira de novo e pronta para retomar as minhas crônicas... Este mes tem sido de médicos, exames e tratamentos -um saco absoluto, porém necessário- mas acho que valeu a pena. Na verdade, nao adianta de nada a gente se fazer de boba quando temos algum sintoma estranho porque nos da medo ou nos aborrece ir no médico, pois quando a coisa fica féia mesmo e já nao podemos mais ignorá-la, com certeza o diagnóstico será pior e o tratamento muito mais difícil do que se tivéssemos ido no início. Ainda tenho um par mais de exames -incluindo aquele em jejum que eu odeio- e umas visitas a médicos, mas logo ficarei tranquila e livre de tudo isto por algum tempo, entao... Vocês sabem, coisas da idade que vem chegando...
     Mas, como já está tudo quase normal e pronto, já posso continuar com as minhas "obrigacoes", entao, aqui vai a crônica da semana. Nao prometo a vocês -de novo- um conto pra semana que vem, porque vai depender de como vou me sentir depois dos resultados destes exames. Porém, crônica sim haverá, com certeza. Entao, aqui vai:



    As nuvens vao se juntando, cinzentas e densas, escurecendo a paisagem. O ar se respira morno, sufocante, um vento cálido y carregado sopra, rompendo a pesada quietude. A gente olha pela janela e desanima. Tudo parece da mesma cor. Até a passarada ficou muda... E entao caem as primeiras gotas e o céu se ilumina com os raios. Os trovoes ecoam sobre as nossas cabecas, fazendo tremer as janelas. As flores nos vasos da sacada se acacapam, tremendo, como se preparando para o toró que se anuncia... A água aumenta e ao bater contra o chao e os telhados levanta um rumor que cresce e toma conta de tudo. Nao podemos fazer nada além de procurar abrigo, abrir o guarda-chuvas ou permanecer em casa.
    E deste jeito podem passar algumas horas ou o dia inteiro, talvez até dois ou três, e a gente parada e impotente, só aguardando... Até que, aos pouquinhos -e para nosso alívio e alegría- a chuva comeca a arrefecer. Vai se tornando um murmúrio, um sussurro, e as pocas refletem as primeiras pinceladas de azul. A paisagem clareia, o ar esfria, os pássaros elevam novamente as suas vozes, ainda tímidas. O sol empurra lentamente as nuvens, vai dissolvendo-as com seu resplendor até fazer com que desaparecam por completo...
    E entao acontece uma espécie de milagre: a paisagem reaparece, transparente e diáfana, da pra ver longe com perfeita clareza. Tudo parece mais definido, as cores mais vivas, o ar se enche de novos e poderosos perfumes. Tudo brilha e nos anima a continuar vivendo e sonhando, lutando, acreditando. Quando a chuva passa é como um novo nascimento, uma renovacao, uma golfada de forca e otimismo...
    E assim também acontece com as nossas tormentas pessoais, pois por mais escuro que fique o horizonte em alguns momentos, devemos saber que ela passará, que o sol tornará a brilhar e que a esperanca, a coragem e a clareza renascerao dentro de nós. Teremos crescido, aprendido, nos transformado em pessoas melhores, mais solidárias e compassivas, mais fortes e equilibradas.
    Porque a paisagem sempre fica mais clara quando a chuva passa.
    

domingo, 4 de junho de 2017

"A janela"

    Semana passada tivemos uma pequena emergência familiar que me teve bastante ocupada -nada grave, gracas à Deus- e por isso nao publiquei nada. Parece que uma das nossas cadelinhas andou comendo alguma porcaria na rua (quando nao estávamos olhando para ela, pois sabe que é proibido) e pegou uma infeccao intestinal que teve o nosso apartamento forrado de jornais por uns cinco días, gastando rolos e rolos de toalha de papel e enfiando comprimidos com frango moido pela sua goela abaixo -o que, é claro, nao lhe pareceu para nada ruim- mas no fim, acabou melhorando e agora anda por aí, correndo e cochilando em seu sofá predileto, bem agasalhada porque aquí está um frío danado, e eu desenvolvi um olho extra na nuca para vigiá-la enquanto passeamos e assim evitar outro penoso capítulo de jornais e comprimidos.
    E como já está tudo em ordem, aqui  vai a crônica da semana. Acho que até terei tempo e inspiracao para escrever algum conto novo para o próximo fim de semana.



    Tenho a minha cama do lado da grande janela que ocupa toda a parede do meu quarto. Escolhi este lugar de propósito, e nao tengo cortina porque toda vez que esteja deitada ali quero poder ver o céu (estamos no andar 29, sem nenhum prédio na frente) a cordilheira, os pássaros, as estrelas, as nuvens sempre mudando, as gotas de chuva, a cidade barulhenta e iluminada feito uma eterna árvore de natal às noites, os últimos raios do sol acendendo as cumbres nevadas no fundo e refletindo-se nas vidracas dos prédios... Pode ser que para o verao bote uma persiana, mas ela só estará abaixada quando o sol pegar em cheio no quarto, porque aí sim fica muito quente, mas o resto do tempo -e das estacoes- permanecerá erguida, revelando-me tudo que tem lá fora e me aguarda cada dia. Os sons, as cores, os aromas, as personagens e as suas histórias. Mesmo sendo uma metrópole agitada e às vezes perigosa e poluída, a sua vista, mais a do céu e a cordilheira, me produzem uma enorme paz e felicidade, porque sei que é aqui que pertenco e que tudo isso que vejo pela janela junto da minha cama -e por todas as outras do apê- é meu, faz parte de mim.
    A vista da janela e eu somos uma só coisa.

domingo, 21 de maio de 2017

"Voar"

        Bom, semana passada peguei o domingo livre para comemorar o dia das maes. Um merecido descanso com muitos mimos, presentes, repouso e serenidade... No fim das contas, nós, as maes, merecemos! Estamos sempre ali para os nossos filhos, entao, pelo menos uma vez no ano, eles precisam estar ali para nós... E foi ótimo!
    Porém, o feriado já passou, entao, de volta ao trabalho, à rotina, aos prazeres simples e cotidianos, aos pequenos milagres...


    Deitada na cama do quarto do hotel no Brasil, quando viajamos pra lá ano passado, olhava com desânimo através da janela, para o dilúvio que caia lá fora. Típico toró tropical. Todo nosso programa de passéios e compras tinha ido por água abaixo... O que fazer? Assistir televisao? Jogar com o celular? (coisa que jamais fiz, porém, como já sabem, a necessidade tem cara de hereje, entao podia aprender) Viajar pela internet?... A paisagem tinha sumido e só dava para escutar  o tamborilar da chuva nos vidros, telhados e na rua. Todo mundo correndo para se proteger do toró. Até os prédios e as árvores pareciam encolhidos, intimidados pela forca da água que escorria feito um río pelas calcadas, muros e becos... Suspirei, chateada. Sim, realmente nao daba pra botar nem a ponta do nariz lá fora.
    De repente, e em total silêncio, umas pequenas e velozes silhuetas cruzaram pela minha janela. Logo, vazio. Mas, em seguida, outro grupo de silhuetas escuras atravessaram o ar e a parede de água que caia... Curiosa, me levantei da cama e me aproximei da janela. Tudo estava borrado pela chuva, nao tinha horizonte... E as sombras passaram novamente, velozes. Entao vi que eram pássaros: pardais, pombas, bem-te-vis... Fiquei imóvel a contemplá-los enquanto voavam em direcao a um parque próximo, indo e voltando. "Mas que coragem!", pensei, admirada "Sair voando por aí com este toró! Nao têm medo?"... As pessoas estavam escondidas, preocupadas, zangadas, enquanto aquelas aves desafiavam o dilúvio e voavam, faziam piruetas e até soltavam uns trinados... Nao podia parar de observá-los, enquanto uma estranha emocao tomava conta de mim, pois de pronto me ocorreu que nós bem que poderíamos seguir seu exemplo algumas e vezes e, ao invés de nos esconder quando vem uma tormenta, deverámos ficar e encará-la, voar através dela, nao perder o rumo, nao nos assustar. Voar contra todas as aparências negativas até atingir a nossa meta, a realizacao, a paz, a felicidade. Nós também possuimos asas e precisamos aprender a utilizá-las.

domingo, 7 de maio de 2017

"Como é um anjo?"

    Dias de luz, dias de sombras, todos temos alguns assim, porém, nao devemos desanimar por  causa das sombras, pois nos fazem procurar com mais afinco a luz e, quando a encontramos, é uma verdadeira e duradoura béncao... Entao, nao paremos de lutar só porque o sol se esconde ou chega a noite. Depende de nós que a luz volte a brilhar e nos inunde com seus raios e seu calor.
    Dá pra perceber que nao foi uma semana fácil, nao é mesmo?... Mas a luz continua a brilhar, a gente pode senti-la lá, no fundo, e isso nos da a coragem e a forca, a fé para seguir em frente, porque ela nunca se apaga. Deus nao o permite. Basta acreditar e estar disposto e atento para receber todas as mensagens, os sinais e aos anjos. Sei que tenho escrito sobre este tema antes, mas é que é óbvio demais como para ignorá-lo e nao repeti-lo para que todos se dêem conta.



    Como é um anjo?... Um ser alado, brilhante, belo, que traz mensagens divinos para pessoas especiais?... Bom, às vezes sao assim mesmo, mas estou convencida -e falo por experiência própria- de que a maior parte do tempo aparecem para todos nós, todo dia, sem importar se somos santos ou pecadores, sábios ou ignorantes, ricos ou pobres, crentes ou atéus. E estes anjos, normalmente, nao sabem que o sao, porém, mesmo assim e aproximam de nós e nos entregam a sua mensagem, intervêm em nossa vida e até podem transformá-la de formas inesperadas e maravilhosas... Porém, precisamos prestar atencao, porque podem perfeitamente passar despercebidos, já que nao têm asas, vestes luminosas ou aureolas douradas. Nao, a maior parte de vezes estao vestidos feito a gente e nao sao belos nem possuem vozes inebriantes. Sao de carne e osso, cheios de problemas e defeitos como nós, porém com a missao, o brilho e a calidez de nos entregar a mensagem certa no momento certo, mesmo se nao têm consciência disto. E assim também, sem saber, nós mesmos podemos nos tornar anjos por alguns instantes, todas as vezes que ajudarmos, apoiarmos, nos doarmos, acoselharmos, compartilharmos. Um só ato de bondade desinteressado, por mais simples e banal que seja, pode nos transformar em mensageiros de Deus...
    Entao, prestemos atencao nos outros, ao que têm pra nos dizer, sem nos deixar enganar pela sua aparência, e também prestemos atencao ao que o nosso coracao -com esse lado puro que quase sempre ignoramos- nos inspira, porque sem nos dar conta, podemos salvar uma vida nos deixando levar pelos seus sussurros.

domingo, 30 de abril de 2017

"Som e silêncio"

    Vai e vem, Parece que vai ficar, mas logo muda de idéia e desaparece, feito uma noiva fazendo charme, e o frío volta... Assim é o outono, primo da primavera, indeciso e caprichoso feito mulher apaixonada e mimada. Porém, mesmo assím, está nos presenteando com uns días excepcionais, um pouco frios pela manha, mas deliciosos pelas tardes. Noites templadas, serenas, cheias de estrelas, amanheceres luminosos, inspiradores... E é por isso -e também aproveitando que amanha é feriado e nao tem nada pra fazer porque tudo estará fechado, já que é o día do trabalho, e as ruas maravivlhosamente vazias e silenciosas- que vou aproveitar pra publicar um ou dois contos novos antes de sair para dar uma volta pra dancar e me encantar com os redemoinhos de folhas secas e as suas coreografías.
    Entao, aqui vai a crônica do fim de semana, mas nao esquecam que amanha haverá um ou dois contos novos em pazaldunate-estorias.blogspot.com!



    O fim de semana passado tivemos uma frente de mal tempo que quase deixou a cidade embaixo d'água (bom, na verdade, uma parte ficou) e por algumas horas aqui no centro -onde moramos- ficamos sem eletricidade... E foi uma situacao bem curiosa e surpreendente. De repente já nao mais podia assistir televisao nem escutar rádio ou usar o computador. Tudo estava silencioso, como parado no tempo, quieto, meio irreál... Fazer o quê?... Pois nada a nao ser esperar que a energía voltasse. Sentei na sala e olhei à minha volta, sentindo essa mudanca, essa espécie de nada na qual podia escutar claramente cada som, cada rangido ou corrente de ar, a minha respiracao, os pequenos movimentos externos e internos do meu corpo sentado no sofá. Podia escutar tudo, dentro e fora, porém, o  mais surpreendente e inquietantemente agradável é que eu era capaz, em muito tempo, de escutar meus próprios pensamentos, de acompanhar as evolucioes das minhas idéias e sensacoes. Como as minhas percepcoes se tornavam claras e profundas! Tudo parecia adquirir novas dimensoes e significados. Havia uma quietude que ultrapassava o silêncio físico e atingia algo muito dentro de mim, algo que parecia querer se  manifestar fazia muito tempo, uma realidade diferente, mais pura e próxima, menos invasiva, mais clara e pessoal... A falta de energía me fazia ter um inesperado e profundo encontro comigo mesma. Era tao somente eu naquela sala silenciosa, sem rádio, sem tevê, sem computador... De repente podia entender o valor de um claustro, da vocacao para o silêncio, da ausência de toda essa poluicao sonora e visual que nos rodéia e nos atordoa, nos embrutece, nos deixa tontos, nos rouba a escência, a capacidade -o dom, a graca- de perceber a nós mesmos e aos outros, de escutar, de sentir mais profunda e demoradamente, de entrar dentro de nós mesmos e nos encarar, nos descobrir, nos descifrar, nos entender, nos perdoar e nos amar. De ser o que realmente somos.
    Quando ouvi o apito da geladeira percebi que a forca tinha voltado. Foi como sair de um transe, um episódio que difícilmente esquecerei.
   Liguei a televisao, o computador e a música voltou a invadir o apartamento com as suas cancoes soft... Os cortes de energia sao raros aqui no centro, porém, aquelas quatro horas de silêncio deixaram a sua marca e agora me fazem apreciar e administrar muito melhor o som e o silêncio, porque ambos sao importantes, porém nao podemos permitir que um roube o lugar do outro.
    Som e silêncio, um equilíbrio indispensável para nosso próprio equilíbrio.

domingo, 23 de abril de 2017

"Anjos"

    "Problemas técnicos", poderia se dizer sobre meu silêncio da semana passada, pois meu computador decidiu entrar em greve de repente e tive de levá-lo no médico... E como sempre, era só um probleminha básico que eu própria poderia ter achado e resolvido se nao fosse tao jurássica com respeito a estes aparelhos modernos... Eu ligo, boto no meu rádio favorito (Tribuna FM, do Brasil), escrevo e bato papo com outros pelo Face. Além disso... Entao, essas coisinhas que quase todo mundo consegue solucionar apertando umas teclas, ou entrando nos mistérios recónditos da programacao, disco duro e todo aquele palavreado que para mim é a mesma coisa que o sánscrito, em meu caso sao uma situacao que requer a imediata e eficiente intervencao de um experto.
    E como já está todo solucionado, e depois de rir muito e ter que pagar pro rapaz pela minha ignorância, aqui vai a crônica da semana.



    Quando penso na quantidade de anjos que Deus tem botado -e continua a colocar- em meu caminho, desde os mais óbvios até os mais "sui géneris", a minha gratidao e admiracao, minha fe e fortaleza, a minha certeza de seu amor e compaixao, de sua compreensao, nao têm limites. Porque os anjos nao sao tao somente esses seres brilhantes e alados, belos e poderosos. Nao, agora sei que também sao pesoas com as quais nos encontramos todo día, em qualquer lugar e circunstância, e que nos trazem uma mensagem personalizada através de palavras o acoes, às vezes tao somente com a sua presenca... Mas é precisso que estejamos atentos, conscientes, abertos a estes encontros e as suas conseqüências. Temos que olhar à nossa volta, temos que escutar bem e acreditar, entender, porque se ficarmos tao somente esperando por alguma aparicao o intervencao espetacular (o que, é claro, também poderia acontecer) vamos perder as infinitas demonstracoes -e instrumentos- do amor e a misericórdia com que Deus nos presenteia cada día.
    Prestemos atencao ao que acontece à nossa volta, nas pessoas que encontramos -ou que já fazem parte da nossa vida- ao que fazem e dizem, pois sao licoes pra nós.... E quem sabe se nós também nao somos o anjo de alguém? A nossa humanidade nao nos tira este privilégio, pois Deus utiliza quem quer para seus propósitos.
    Definitivamente, o divino está muito mais perto do que imaginamos.

domingo, 9 de abril de 2017

"O preco da liberdade"

    O frio está chegando aos pouquinhos, já com algumas gotas e muitas nuvens, mas ainda temos días de sol esplêndidos, brisa fresca e agradáveis finais de tarde nas quais as criancas enchem as pracas para brincar e partilhar, os cachorros cochilam no calorzinho na grama e as janelas se abrem para que esta agradável temperatura invada os quartos... O outono é assim mesmo, parecido com a primavera: dias de nuvens, de sol, de frio e calor, de folhas secas e flores se abrindo, de jaquetas e camisetas, de botas e tênis... Nada se sabe até que o sol comeca a aparecer por trás da cordilheira, pois agora já estamos comecando a sair da cama quando ainda está escuro, entao o clima do día é sempre uma surpresa, já que nem sempre os meteorologistas acertam...
    E aproveitando que hoje o sol foi bonzinho e decidiu aquecer a cidade, nossos pés e a nossa alma, aqui vai a crônica de  hoje:



    Sim, uma das atitudes mais "divertidas"e contraditórias, desconcertantes do ser humano é a de se cobrar um preco de dor pela liberdade... que já possui. E que pelos mais diversos motivos se nega a assumir e desfrutar. Irónicamente, ser livre é tudo que deseja -livre de cobrancas, pressoes, culpas, ressentimentos, fracassos...- porém, toda vez que tem a chance de viver isto, parece que convence a si mesmo de que nao o merece e ao invés de abracá-la, prefere se castigar por obtê-la. Por quê?... Porque tem gente demais que nao é livre? Porque acha que nao tem feito nada para merecê-la? Porque tem certeza de que nao vai ser capaz de administrá-la? Porque alguém virá e a tirará dele?... Razoes ha milhares, das mais banais até as mais estapafúrdias, porém todas valem para nao se permitir a ansiada liberdade.
    Às vezes, quando passo pela Praca da Constituicao -que fica em frente de La Moneda, o palácio presidencial, e é um dos grandes pontos turísticos de Santiago- ou algum outro lugar onde tem turistas e vejo estes grupos de pessoas -quase sempre estrangeiros, junto com alguns chilenos de outras regioes- tirando fotos, percorrendo os sitios patrimoniais atrás de um guia, percebo que, em sua maioria, é gente da terceira idade. Usam bengalas, muletas, caminham devagar, sentando para descansar, e apesar de tudo isto, se mostram felizes, encantados, relaxados e LIVRES. Eles estao curtindo esta liberdade, que ganharam -assim como todos nós- sem medo nem impedimentos pelos seus achaques. Talvez sao diabéticos, cardíacos, têm problemas nos ossos, se cansam e tudo isso, porém nao parecem amedrontados nem acovardados por isso. Estao ali, em corpo e alma, desfrutando, rindo, conversando, partilhando a experiência e guardando boas lembrancas
    Sinto inveja ao ver como como aproveitam sem receios, sem cobrancas nem culpas esta merecida liberdade e descanso... É aí onde todos precisamos chegar.

domingo, 2 de abril de 2017

"Valiosos e importantes"

    Frio, porém com um sol radiante e uma brisa que mais tarde vao se tornar deliciosos... Sair no pátio pra ler ou simplesmente dar uma volta pela pracinha cheia de criancas brincando, cheiro de comida, senhoras batendo papo e aproveitando o calorzinho pra se divertir com seus filhos, cachorros correndo e assim esquecer do trânsito e a pressa da semana vai ser simplesmente um presente divino... Hoje estou assim, cheia de paz e simplicidade, como deve ser...
    Entao, aqui vai a de hoje, junto com um conto, como prometi, voltando a postar nos fins de semana.


    Mas nós nao valemos pelos aplausos, os elogios ou o prestigio. Por exemplo, nao está meu valor em estar dando aulas, montando espetáculos ou recebendo prêmios, assim como tampouco em levar agora uma vida doméstica, modesta e anônima... Nao, valemos pelo que somos, sem importar onde nem quando, e o que somos intrinsecamente é bons, compassivos, generosos, solidários, otimistas, criativos, sensíveis, caridosos, bem-humorados, mágicos... Temos defeitos, é claro, porém eles nao sao grandes o bastante como para opacar  as nossas qualidades, a nossa essência. Somos todos guerreiros, e isto é o que nos torna valiosos e importantes. Fazemos a nossa parte, a nossa boa parte, e isto é o que faz do mundo um lugar melhor, nao interessa que nao apareca nos jornais nem na televisao.
    Esta é a verdade, a verdade de todos os seres humanos. Agora precisamos assimilá-la, acreditar nela, voltar a fazê-la nossa -como ja foi um dia- para vivenciá-la e matar esse monstro tirano e cruel que nos devora um pouquinho mais a cada dia com a sua pressa, sua ambicao, seu egoísmo, seus medos, castigos e cobrancas desmedidas, encadeando-nos à passados mortos e inúteis que só nos prejudicam e nos afundam em depressoes e matam os nossos sonhos, roubando-nos a paz e o equilíbrio.
    Precisamos tomar esta nova atitude de uma vez por todas, criar coragem e nos jogar, arremeter contra  o dragao feito cavalheiros de armadura e derribá-lo definitivamente. Porque merecemos um futuro feliz, digno, produtivo e sereno. Todos nós.

domingo, 26 de março de 2017

"Ser humano"

    Bom, nao é que tenha sido abducida por um ovni ou coisa parecida. Simplesmemnte, as férias se esticaram mais um pouquinho do calculado e voltamos às postagens nos finais de semana, pois a semana também ficou meio complicada, pelo menos mais do que os fins de semana, entao... E depois, acho que sábados e domingos sao dias ideais pra sentar e ler algguma coisa. Eu mesma estou curtindo um livro agora, coisa que nao fazia há muito, muito tempo!... Entao, retomando os velhos hábitos e semana que vem com contos novos. Estas férias fizeram muito bem ao meu corpo, minha mente, meu espírito e à minha inspiracao, definitivamente.
    Entao, voltando neste dia fresco, ensolarado e tranquilo, aqui vai a da semana:



    O ruim de querer ser perfeito -o que, diga-se de passagem, é totalmente impossível, nao importa o que digam- ou ter um sucesso sem impedimentos, de lutar com tanto desespero para dar esta imagem, é que com o passar do tempo, a gente acaba se transformando num tirano monstruoso com nós mesmos e com os outros e em prol desta imagem, desta meta que acreditamos, ingenuamente, nos fará ser aceitos e amados, e até perdoados por Deus, quem nos abrirá as portas do paraíso terrenal e celestial... Crasso erro! Porque, invariávelmente, chegará um momento en que a situacao se tornará tao exigente, com padroes tao altos e cruéis de comportamento, tao tiranos e punitivos, que a situacao vai se tornar insustentável. pois o conflito entre o que somos -falíveis, fracos, imperfeitos- e o que achamos que deveriamos ser para os outros -e para Deus- ficará tao violento que acabará por quebrar-nos. Este tipo de atitude nos nega o direito de dizer "nao", "estou cansado", "nao aceito isto", "nao quero esta situacao", "eu sou mais importante", nos pune por ter sentimentos que seriam "pouco nobres", por "falhar", por mudar de idéia ou nao concordar com a opiniao de outros.
   Somos simples humanos e tudo que podemos fazer, como diz a magnífica Judi Dench no filme do Hotel Marygold, es levantar-nos cada manha e tentar fazer o melhor possível, com fe, persistência, alegría e serenidade. Isso já é suficiente, porque significa aceitar e trabalhar com esta humanidade cheia de imperfeicoes e belezas que precisamos aprender a equilibrar para desfrutar de uma existência, plena, digna, e tranquila, produtiva, sem culpas, castigos nem cobrancas.
    Isso é ser humano.

quinta-feira, 2 de março de 2017

"Será que era bom saber?"

    Na verdade, é muito esquisito estar postando a crônica hoje, plena quinta-feira, sobretudo porque podia tê-lo feito no sábado ou no domingo, já que a minha filha nao tinha voltado ainda de Viña, entao tive bastante tempo. Mas como queria fazer a experiência de publicar no meio da semana... Bom, é mesmo MUITO esquisito. Me da vontade de voltar aos finais de semana, cortar um pedaco da soneca de sábado e domingo ou  do programa chato da tevê e sentar aqui para escrever. Bom, e como sou uma adicta às rotinas, de repente faco isso... Este fim de semana também estarei folgada porque a minha filha sai de férias e iremos por alguns dias pra praia. Voltarei em tempo para publicar a crônica -e quem sabe um conto também- sábado e domingo. Mas aí aviso a vocês.
    Entao, por enquanto, vamos completar este experimento e aqui vai a crônica da semana.



    Vejo as pessoas caminhando pelas ruas, subindo e descendo de ônibus, táxis e coletivos, saindo e entrando de prédios e lojas, emergindo das estacoes do metrô, em pracas, escritórios, bares e restaurantes, carregando sacolas, pacotes, pastas, caminhando geralmente apressadas, sozinhas ou acompanhadas, de todos os tipos e condicoes sociais, e sei que todas elas têm um destino, jogam algum papel na história, têm uma missao, por menor ou anônima que seja. E percebo que todos, de um jeito ou outro, somos importantes neste todo infinito que é a vida. Até quem passa despercebido tem seu papel, significa algo.
    Quantos destinos existem? Com quantos cruzo cada día? Para onde vao? O que pretendem? Vao conseguir?... E eu? Qual é meu papel? Vou descobri-lo? Serei capaz de cumpri-lo? Será uma surpresa, um desafío, uma tragédia, uma béncao?
    Será que era bom saber?...

domingo, 19 de fevereiro de 2017

"Em segredo"

    Eu sei que disse que este fim de semana nao iria publicar nada porque mudaria as postagens para segunda ou terca, ou qualquer outro día da semana, já que sábado e domingo estavam ficando meio complicados, mas como a minha filha está em Viña del Mar cobrindo o festival da cancao de lá, que acontece semana que vem, pelo que ela ficará por lá pelos próximos dez días, está me sobrando bastante tempo, entao, acho que por mais esta semana publicarei no domingo... E hoje tem conto novo!... Na verdade, esse negócio da dor nas costas por estar sentada tempo demais diante do computador é porque preciso escrever tudo duas vezes, uma em espanhol e outra em português, por isso demoro tanto e as minhas costas reclamam. Porém, agora irei com calma -como ando fazendo tudo últimamente, que é mais saudável- e de repente publico em espanhol hoje e em português amanha... Vamos deixar as coisas acontecerem naturalmente, sem estresse.
    Entao, aqui vai a crônica de hoje!



    Sempre que se fala em triunfos, imediatamente nos vêm à cabeca um ato grandioso, algo que chama a atencao e nos coloca acima dos demais... Nao digo que estas vitórias nao sejam meritórias nem que nao engrandecam quem as obtém, que nao sirvam de exemplo e inspiracao para outros, mas também acho que temos de perceber e comemorar -e muito, pois estou convencida de que sao muitos mais- esses pequenos triunfos, os de cada día, aqueles que, juntos, sao capazes de transformar a nossa vida: vencer a preguica, a timidez, o mau humor, o medo, o desânimo, a maledicência, a indiferenca, o derrotismo... Pequenas atitudes, pequenas vitórias, pequenas melhoras, em segredo, só entre nós, Deus e nosso espírito, sem publicidade nem aplausos. Sozinhos, cada día, diante de cada situacao que o requer, repirar fundo, erguer a cabeca e dar a luta. E ganhar.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

"Criancas e adultos"

    Estou pensando seriamente em mudar o dia em que publico estas crônicas, pois os finais de semana estao ficando meio complicados para fazê-lo. E como, na verdade, tenho todo o tempo do mundo disponível - a nao ser por algumas pequenas obrigacoes- para fazer isto quando melhor me convenha e esteja mais calma e inspirada, acho que poderei fazê-lo sem problemas. É verdade que o próximo fim de semana estarei mais livre porque a minha filha estará em Viña del Mar cobrindo o festival da cancao, mas depois disso tudo voltará ao normal e será complicado de novo. Entao, ja deixo avisado que semana que vem publicarei a crônica nao no domingo, mas na segunda, terca ou quarta da seguinte... De qualquer jeito, podem lê-las quando quiserem, já que sao curtinhas, mas é bom avisar, nao é mesmo? Assim, ninguém fica perdido e acha que renunciei... Vamos fazer o experimento e aí vocês me dizem o que acham. Sei que o fim de semana é melhor para ler qualquer coisa, mas como sao textos curtos, acho que podem fazer isto a qualquer hora, entao... Vamos ver no que da. Também fica mais fácil para publicar os contos, já que assim posso fazê-lo em dois dias diferentes e deste jeito as minhas costas nao sofrem tanto por estar muito tempo sentada diante do computador... Ah, é a idade chegando.
    E aqui vai a desta semana, ainda em domingo.



    Realmente, tem coisas que nao deveriamos abandonar nem deixar de lado ao virarmos adultos. Porque à medida que crescemos, nao sei por quê, vamos ficando pretensiosos, exibicionistas, cheios de pose, demasiado ambiciosos e complicados... Por exemplo: dêem para uma crianca uma mangueira ou uma piscina de plástico, um pacote de bolachas ou un sanduíche de queijo e presunto, uma garrafa de refrigerante num dia de calor e ele te dirá que passou as melhores férias da sua vida. E nao estará mentindo. Já um adulto acharia tudo isto cafona, denigrante, insignificante, patêtico, pobre... Nao, agora este adulto precisa de um hotel, uma praia, restaurantes, carro, passagens de aviao, toda uma infraestrutura que lhe mostre ao mundo o bem que está indo, para poder se gabar das suas férias... Pode ser até agradável, mas se pensamos no estresse devastador que obter tudo isto pode significar, a coisa como que perde bastante a graca. As criancas nao vêem além. Elas se contentam com o que o momento lhes oferece e o aproveitam ao máximo...a nao ser que já tenhamos lhes enfiado estas coisas de adulto em suas cabecinhas.
    Isto é algo que nao deveríamos perder (e o fazemos de propósito, obrigados pelos estándares que deixamos os outros impôr sobre nós) ao nos tornarmos adultos, pois isto nos rouba toda a verdadeira diversao e  a sanidade, a percepcao dos pequenos milagres que acontecem todo dia em nossa existência e a importância que eles têm em nossa formacao como seres humanos melhores.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

"Esse primeiro passo"

    Ninguém merece pegar uma gripe bem no verao, porém eu tive essa capacidade, mesmo se nao ficou claro pra mim se foi mesmo uma gripe ou o resultado de toda a fumaca e as cinzas que vieram parar em Santiago por causa dos incêndios forestais que estavam assolando a regiao centro-sul do Chile... A coisa é que passei uns dias jogada no sofá, com a garganta irritada, dor no corpo e todas aquelas coisinhas gostosas e tao agradáveis inerentes à qualquer gripe que se preze... Mas pelo menos serviu para ter algumas idéias pra contos e até escrever um par delas, entao, nem tudo foi prejuizo... Ainda bem que agora esses incêndios estao controlados -mas nao apagados- com a valiosa e generosa ajuda de avioes e bombeiros de outros países, e a fumaca e as cinzas sumiram quase por completo. Já da para ver a minha amada cordilheira novamente e eu estou de pe  e pronta para voltar e publicar e escrever, entao aqui vamos de novo!...


    Nao fui com a cara do homem assim que o vi. Me recebeu com a expressao fechada e se desculpando por nao estar usando o avental branco, mas é que estava um calor insuportável e a sala dele nao tinha ar condicionado. Me examinou de má vontade e foi bastante desagradável para responder às minhas perguntas, pelo que acabei ficando calada y dexando ele reclamar e me dar bronca por estar estressada... Bom, pelo menos nao me mandou fazer uma endoscopia! E isso já foi lucro.
    Sai da consulta com uma receita para um remedio contra gases e um difestivo e a desagradável sensacao de nao ter resolvido nada porque, na verdade, nao tinha sido atendida. E o pior é que precisava voltar dali a um mes para uma revisao. Estive várias vezes prestes a cancelar a consulta, apesar do mal que me sentia. Quer dizer, fui lá porque estava  passando péssimo e estava super preocupada e resulta que saí pior do que entrei. De qualquer jeito, podia procurar outro médico num outro lugar -o que sairia bem mais caro porque meu plano nao cobriría isso- prém um pouco antes da segunda consulta, decidi comecar mis sessoes psicológicas para resolver também a parte emocional dos meus malestares, e tomei um par de ansiolíticos... Resultado?... Os sintomas quase sumiram, entao, quando retornei no médico chato, meu astral era outro bem diferente, pelo qual resolvi encará-lo de um jeito positivo, empatizando com seus desgostos e escutando-o com boa vontade e interessando-me pelo que tinha a dizer. Porque com certeza, nenhum de seus paciente lhe dava essa chance.
    O que foi que aconteceu?... Pois que o homem virou uma outra pessoa! Se relaxou, sorriu, me deu conselhos positivos e até fez um par de piadas. Nos despedimos feito velhos amigos e eu com a mais absoluta certeza de que tudo depende da NOSSA atitude para com o outro. Sempre ficamos aguardando que os outros dêem esse primeiro passo, deixando-lhes toda a responsabilidade -e a culpa- de um bom resultado, ao invés de nós tomarmos a iniciativa. É claro que nem todos reagirao tao bem quanto o fez este médico, porém, algum tipo de comunicacao positiva que agirá em favor de ambos vai ser gerada e assim tudo será mais fácil e prazeiroso. E isto vale também para as situacoes complicadas: encará-las com um espírito corajoso e positivo, com fe, certamente a tornará mais suportável e até seremos capazes de resolvê-la e ganhar essa batalha.
    Definitivamente, vale a pena o esforco de dar esse primeiro passo, de chegar com o espírito positivo, com uma empatia sincera que nos faca esquecer um pouco de nós mesmos para calcar os sapatos do outro... A reacao é quase sempre um pequeno milagre.

domingo, 22 de janeiro de 2017

"Barulhos"

    Uma boa notícia: Esta semana tem contos novos!... A inspiracao está à mil!... E uma notícia ruim: os incêndios forestais que assolam nestes dias meu país amado. A cidade está cheia de fumaca, nao se pode ver o sol nem a cordilheira e está um calor quase insuportável. Me lembra o que sentia lá no Brasil, só que aqui a umidade é de 15 ou 20% e tem muito vento, o que faz com que as chamas se espalhem por todo lugar e ultrapassem os esforcos de bombeiros, brigadistas, Conaf (órgao encarregado da parte forestal) e todas as pessoas que estao tentando combater esta tragédia. Várias regioes têm sidio declaradas zonas de catástrofe e a coisa nao tem pra quando terminar, pois as condicoes climáticas nao estao ajudando em nada... Morro de pena daquela gente que já perdeu ou está prestes a perder tudo que tem e, apesar da fumaca e do calor sufocante, nestes instantes me considero afortunada por morar na capital, pois -até este momento- o fogo está longe daqui, mesmo se as suas consequências nos atingem do mesmo jeito...
     Entao, mesmo triste e muito preocupada, hoje sento aqui -com um leque na mao- para postear a crônica da semana e mais um par de contos novos. Tomara que curtam eles! Vao para pazaldunate-estorias.blogspot.com e leiam!



    Ao longo do dia a gente acha que escuta tudo que é possível escutar numa cidade feito esta, lotada de pessoas, carros, ônibus, construcoes, desfiles, sirenes, marchas, vozes, latidos... Um enxame infinito e por vezes meio assustador. Nao tem um minuto de silêncio, pois mesmo se nos finais de semana e no feriados este alboroto diminui bastante, aquele rumor abafado e constante que desce desde a avenida Alameda nao pára jamais. Parece um panal de abelhas trabalhando as 24 horas do día. A gente acaba se acostumando e até acha que existe algo de silêncio na madrugada, no intervalo entre aqueles que estao indo dormir e aqueles que estao levantando... Nao dura muito, mas se a gente está acordado -desacostumado com esta insólita "quietude"- pode se perceber outros barulhos: nosso coracao batendo, a nossa respiracao, o sussurro dos lencóis, o canto de um bem-te-vi numa árvore distante, o despertador musical do vizinho, os rangidos da casa com as mudancas de temperatura... E é um bom momento para pensar, para planejar, para decidir, para se dar conta, para rezar, para perceber que estamos vivos, para nos perguntarmos se somos felizes, se somos amados, se nos sentimos realizados, se estamos amando. Se pode considerar alguma mudanca, algum pedido de perdao, alguma surpresa. Nessa hora, o barulho da nossa existência é mais poderoso do que toda a barafunda que reina ao longo do día, e nos traz de volta à realidade mais simples e certa: nós mesmos.

domingo, 15 de janeiro de 2017

"O tempo"

    Suponho que quando a gente vai ficando velha comeca a se preocupar -ou a perceber com maior clareza- com este negócio da passagem do tempo, do que tem feito ou deixado de fazer naquele que já passou e do que ainda poderia realizar naquele que ainda resta. Nao é algo deprimente ou assustador (apesar de que pode ser pra muita gente) porém sim intrigante, que faz com que nos perguntemos muitas coisas e nos esclarece outras, o que pode resultar numa melhor qualidade de vida, uma plenitude que nunca sentimos antes, pois nao tínhamos a consciência que temos hoje, com mais idade, e por isso nao lhe dávamos a devida importância... É incrível como, quando a gente é jovem, acha que nunca vai envelhecer, que vai durar pra sempre, como diz a cancao de Cat Stevens, e que vai poder fazer tudo que quiser ou planejar... Bom, a verdade é que muito pouca gente consegue isto, e podemos nos considerar afortunados e realizados se temos sucesso em pelo menos a metade dos nossos projetos. Nao se trata de ser pessimista ou conformista, mas de nos sentirmos agradecidos por ter tido a oportunidade de construir, de entregar, de partilhar, de amar e aprender tudo que nos foi possível ao longo do tempo que tivemos e nao de nos amargurar pelas poucas coisas que nao conseguimos... Como diz aquela frase de televisao: "Nao tenho tudo que amo, mas amo tudo que tenho"...
   Pôxa, isto já está parecendo a crônica da semana! Mas nao, é uma outra, que também tem a ver com o tempo. Uma pequena reflexao que me ocorreu outro dia ao assistir a entrevista de uma velhinha sorridente e cheia de vigor e criatividade, lúcida e agradecida, num jornal da tevê. E ela dizia, sorrindo, com os olhos brilhantes: "Bom, se tem que morrer, pelo menos tem que fazê-lo feliz e satisfeita, feliz e realizada em tudo que for possível!"... E como ela está certa!...


    O tempo passa. Nao pára. Nao importa se estamos ativos ou ociosos, saudáveis ou doentes. Nao importa se somos ricos ou pobres, famosos ou desconhecidos. Nao interessa se somos felizes ou se vivemos uma tragédia, se estamos sozinhos ou acompanhados... Nada disto nos salva da sua passagem, dessa característica de nao poder voltar atrás, de nao poder pará-lo ou fazer com que corra mais devagar ou mais rápido. Nada, absolutamente nada, interfere em seu transcurso. É único, um só, acontece uma vez só e, infelizmente, boa parte de nós passamos a vida toda sem perceber isto.

domingo, 8 de janeiro de 2017

"A gente pode se dar ao luxo"

    Muita comemoracao, muita comida - a minha endocrinologista me mata se souber tudo que andei comendo, mas tudo bem, é só uma vez no ano- muita correria e muita festa nos apartamentos e prédios vizinhos, o que significou nada de sono, entao passei o dia primeiro, no qual deveria ter postado a minha primeira crônica do ano, cochilando no sofá, na cama, no banco do jardim... e por aí vai... Mas, como as festas acabaram, já estou acordada de novo, entao sento diante do computador  para publicar a primeira do ano, mesmo meio atrasada, porém cheia de empolgacao e boas expectativas... Tomara que gostem e seja feito um pequeno presente.



    E passadas as festas, as cábalas, os brindes, os presentes, os bons desejos e propósitos para o novo ano, os enfeites, as luzes e o presépio voltam para as suas caixas e a vida retoma a sua rotina como se nada tivesse acontecido... É tao curioso, porque ela nao se importa com o fato de que um novo ano deu início. Nao, a vida continua, impertérrita, sempre em movimento, levando-nos em sua corrente sem fazer distincao entre nenhum de nós. Na verdade, somos nós, com os nossos rituais, a nossa fe e nossos sonhos, projetos e números, quem transformamos tudo. E podemos nos dar ao luxo de botar os ingredientes que bem entendermos. Podemos fazê-lo especial, feliz, exitoso, pacífico, equilibrado, saudável, altruísta; ou entao transformá-lo numa catástrofe que nos afundará e nos manterá derrubados, amargurados, pessimistas, assustados, cheios de ressentimento e auto-compaixao, de inveja e angústia... Entao, temos que pensar direito.
    E eu digo, vamos acabar com todo o negativo!... Voltemos a acreditar, a entregar, a partilhar, a sonhar e construir para que o mundo e a vida de todos seja melhor e nos sintamos realmente como irmaos. Vamos presentear sorrisos, palavras de ânimo e coragem, elogios, abracos, olhares sinceros, apóio, bons e desinteressados conselhos, fe e amor. Acima de tudo amor, muito amor, em todas as suas formas, para todos que cruzarem o nosso caminho, sem distincao.